sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

2012


2012 foi um anos de muitas descobertas e surpresas. Foi realmente um ano de muito trabalho. Os bons e velhos parceiros de sempre permaneceram e muita gente nova pintou no pedaço. Fiz cenários e figurinos para vários espetáculos, de algumas companhias e diretores que já são parceiros e de outros que ainda não tinha trabalhado. Existiram surpresas e decepções, mas 2012 foi um ano lindo!

A Figurino e Cena também desenvolveu projetos lindos, em parcerias com diferentes coletivos criativos, artistas convidados, que se dedicaram além do esperado para cumprirem suas missões. Fica aqui meu eterno agradecimento aos queridos e talentosos Amabilis de Jesus, Marco Novack, Carolina Fauquemont, Fernando de Proença, Pablito Kucarz, Paulo Biscaia Filho, Andrea Tristão, Marcelo Bourscheid, Lilyan de Souza, Wagner Corrêa, Chico Santarosa, Marcelo Bérgamo, Victor Sabbag, Lidia Ueta, Alan Raffo, Junior Pereira, Luiz Sadaiti, Airen Wormhoudt. Michelle Rodrigues, Lucan Vieira, Johnny Leal, Juliana Lang e Luiz Lopes.

No ano que vem muita coisa está para acontecer, 2013 promete muitos outros encontros e trabalhos deliciosos. Eu e a Figurino e Cena estaremos conectados com alguns dos artistas mais bacanas da atualidade. É só aguardar e torcer.

Um ótimo final de ano para todos vocês, leitores, amigos, parceiros e artistas. Ótimas férias e um maravilhoso ano novo. Que 2013 supere todas as nossas expectativas. Muito obrigado. Um beijo grande e um abraço apertado.

Paulo Vinícius.

domingo, 4 de novembro de 2012

FIGURINO E CENA NO ESPÍRITO SANTO

 
Paulo Vinícius, diretor artístico da Figurino e Cena, ministrará duas oficinas de capacitação técnica entre os dias 19 e 23 de Novembro no Centro Cultural José Ribeiro Tristão no Município de Afonso Cláudio / ES. As oficinas são providas pela SECULT – Secretaria de cultura do Espírito Santo e realizadas em parceria com a FUNARTE – Fundação Nacional das Artes.
Esta será a segunda vez que a Figurino e Cena vai ao Espírito Santo com suas oficinas. A primeira foi no ano passado, em Vitória, quando Paulo Vinícius ministrou a oficina de Cenografia dentro do projeto Oficinas Integradas, dividindo espaço com Nadia Luciani (iluminadora) e Vadeco Schettini (Produtor musical e sonoplasta).
Neste ano de 2012, no período da tarde acontece a oficina de Cenotécnia, das 13h às 17h e, no período da noite, das 18h às 22h acontece a oficina de Figurino Cênico, totalizando 40 horas/aula - 20 horas/aula para cada oficina. Os interessados poderão escolher uma das duas oficinas ou optar pela inscrição nas duas oficinas e cursar os dois períodos.
Entre os principais temas abordados na oficina de Cenotécnica estão as principais ferramentas de criação, execução e comunicação de um cenógrafo e de um cenotécnico no cenário atual. E os principais temas abordados na oficina de Figurino cênico estão a relação do figurino com os diversos signos teatrais (Dramaturgia, Interpretação, Iluminação, Cenografia, etc.) e a evolução do figurino  no teatro, na dança, televisão e no cinema.
Maiores informações sobre as oficinas estão em: http://oficinasdecriacaoteatral.blogspot.com/


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Figurino e Cena na 8ª. Mostra Cena Breve Curitiba


DEPOIS, cena da Figurino e Cena, foi selecionada para a 8ª. Mostra Cena Breve Curitiba, que acontecerá entre os dias 17 e 28 de Outubro de 2012 no Sesc da Esquina.



MOSTRA CENA BREVE
(A partir do site da CiaSenhas)
 A abertura no dia 17/10 será com o espetáculo convidado O Fantástico Circo Teatro de um Homem Só! da companhia Rústica de Porto Alegre que também vai conduzir a oficina Desvios Urbanos com intervenção pelas ruas de Curitiba. No espaço externo do SESC da Esquina o público poderá acompanhar o Cortejo CYRK do Trio Quintina.
As apresentações das cenas começam dia 18 e vão até o dia 21 de outubro. Serão 16 grupos de teatro do PR, SP, BA, PA, RJ, DF e MG mostrando seus trabalhos em cenas de 15 minutos. É uma ótima oportunidade de ver de perto a diversidade das artes cênicas no país. Pelas manhãs, ocorre o Papo Aberto – mais um espaço em que público e artistas têm a oportunidade de conversar e refletir sobre as cenas do dia anterior. Eles são gratuitos e acontecem na sede da CiaSenhas de Teatro com os convidados Henrique Saidel (PR), Luciana Barone (PR) e Lucienne Guedes (SP).
Tem também o Blog da Mostra, que neste ano será aquecido pela jornalista Luciana Romagnoli (BH). Ela irá acompanhar as apresentações e registrar comentários e reflexões http://mostracenabreve.blogspot.com.
A partir de 25 de outubro a 8ª Mostra pega a estrada com a Circulação das 04 cenas mais votadas, pelas cidades da Lapa, Campo Largo, Antonina e Morretes. Nestas cidades também irão acontecer oficinas de formação de platéia. A 8ª Mostra Cena Breve celebra o encontro entre artistas e público, a criatividade, o risco, a experimentação, o envolvimento e as muitas parcerias que a cada ano se fortalecem.



(Foto de Lídia Ueta)

DEPOIS

 A cena traz um homem e uma mulher. Um mundo em ruínas. Uma história da solidão contada por uma narrativa enviesada. Uma investigação da palavra para além do seu significado factual. Uma experimentação sonora, física e visual a partir de uma verdade inventada.
Trata-se de um compacto, de 15 minutos, do espetáculo homônimo que será encenado pela mesma equipe e que tem a estreia prevista para o final de 2013 ou início de 2014 em Curitiba / PR.
A Figurino e Cena, desde 2009, busca formar diferentes coletivos criativos, específicos para cada trabalho, estabelecendo um dialogo criativo entre os artistas convidados e as proposições do diretor artístico Paulo Vinícius, também autor deste blog. Entre os principais trabalhos já realizados estão a exposição virtual SAPATARIA ROCOCÓ e o espetáculo infantil DE VOLTA AO COMEÇO.
DEPOIS segue o mesmo processo de criação. Os artistas que compõem a ficha técnica foram especialmente convidados para executar o trabalho, principalmente pelas afinidades relativas com a pesquisa de criação teatral desenvolvidas neste momento. Todos eles são cocriadores da cena, cada um especificamente na sua área, estimulados pelas proposições recebidas.
A apresentação da cena acontecerá no dia 19 de Outubro às 20h. Todos estão super convidados, vale a pena conferir, apareçam!
A programação completa da mostra e todas as demais informações estão no site da CiaSenhas de Teatro, no endereço http://www.ciasenhas.art.br/

 DEPOIS - Ficha técnica
Texto MARCELO BOURSCHEID

Direção PAULO VINÍCIUS
Direção de elenco LILYAN DE SOUZA
Direção de movimento / Preparação corporal  FERNANDO DE PROENÇA
Elenco AIREN WORMHOUDT e PAULO VINÍCIUS
Vídeo projeções PAULO BISCAIA FILHO
Figurino  AMABILIS DE JESUS
Cenário PAULO VINÍCIUS
Composição musical / Paisagem sonora LUIZ SADAITI
Técnico de som e operação de audio visual CHICO SANTAROSA
Iluminação VICTOR SABBAG e WAGNER CORRÊA
Operação de luz VICTOR SABBAG
Maquiagem ANDREA TRISTÃO
Fotografia LIDIA UETA
Produção FIGURINO E CENA PRODUÇÕES ARTÍSTICAS
Produtora associada INOMINÁVEL COMPANHIA DE TEATRO

domingo, 30 de setembro de 2012

SETEMBRO



Setembro foi realmente uma loucura. A cada semana estreou um novo trabalho feito por mim. Foi corrido, mas consegui sobreviver, que bom!
 
CIRCO NEGRO - Foto de Rosano Mauro Jr.
Na primeira semana, dia 06/09 foi o cenário para o espetáculo CIRCO NEGRO da CiaSenhas de teatro, dirigido por Sueli Araujo, que fez temporada até a noite de hoje na Cia dos Palhaços em Curitiba. Como sempre, foi um grande prazer trabalhar na CiaSenhas, um privilégio.
 
EM BREVE NOS CINEMAS - Foto de Marco Novack
Depois, na segunda semana, dia 13/09, foi a vez do figurino para o espetáculo EM BREVE NOS CINEMAS, do Teatro de Breque, dirigido por Nina Rosa Sá. Estar com a Nina e com o Pablito Kucarz é sempre uma alegria a parte. Dessa vez, novos amigos também vieram, como o Claydson e a Tati. Adorei fazer este trabalho! Ainda tem mais algumas apresentações, fica até 14/10, de quinta a domingo, sempre às 20h no Teatro Novelas Curitibanas. 


PINÓQUIO - Foto de Thiago Fernandes

Na terceira semana, dia 22, estreou o novo infantil da Regina Vogue Produções, AS AVENTURAS DE PINÓQUIO, dirigido por Maurício Vogue. Doze atores vestindo dois figurinos completos cada um. Coisa de maluco. O trabalho está em temporada até 18 de Novembro. Sábados e Domingos às 16h no Teatro Regina Vogue.
            E para encerrar o mês com chave de ouro, nesta última semana, aconteceu o enceramento da minha oficina de teatro no Theatro São João na Lapa / PR, uma atividade do projeto sobre o patrimônio artístico e cultural da Lapa, incentivado pelo IPHAN e pelo Ministério da Justiça. Como encerramento, apresentamos o espetáculo PARTO - UMA VERDADE INVENTADA com pessoas da comunidade lapiana.
Enfim, no último dia do mês, olhando para trás, só posso ficar realizado e bastante feliz pelo resultado de todas essas empreitadas. Obrigado a todos os artistas e técnicos envolvidos nessas quatro equipes. Foi um mês e tanto! E que venha Outubro.



sexta-feira, 3 de agosto de 2012

BURACO DA FECHADURA

(Foto de Chico Nogueira)
Para comemorar os 100 anos de Nelson Rodrigues, um dos mais importantes ícones da dramaturgia brasileira e universal, surgiu BURACO DA FECHADURA. A peça, com direção de Rafael Camargo, estreou no dia 1º de agosto e faz parte de uma série de eventos que estão sendo programados para a abertura do Portão Cultural, antigo Centro Cultural do Portão de Curitiba. O projeto é resultado da parceria entre as companhias Rumo e Coletivo Portátil.
            Da força natural, bruta e viva da obra do mais influente dramaturgo do Brasil, a montagem emerge a partir da compilação de alguns contos de “A vida como ele é”: O Monstro, A dama do Lotação, Caça Dotes, Missa de Sangue, Veneno e Unidos na Vida e na Morte. Unindo fragmentados, diálogos e as mais inusitadas situações, o diretor paranaense desenha através de um olhar particular o universo rodriguiano.     
Nem malandro sem camisa, nem mulher com pouca roupa estão no palco. Os seis atores vestem um figurino mais apropriado ao frio: pijama e moletom. Permanecem no palco o tempo todo, mas quase não contracenam e mal saem do lugar. “É um jeito mais contido de fazer teatro. O movimento é mais interno e menos físico. É mais um estado de espírito do que um estado físico”, diz Rafael Camargo.

(Foto de Chico Nogueira)

            Limite, doença, paixão, força vital, sexo, culpa e medo. Na montagem, o humano e suas contradições convivem simultaneamente num caleidoscópio de experiências que traduzem o que somos capazes de ser, revelando o que não é permitido revelar. Tomados por sentimentos potencialmente incontroláveis, em estado febril, os personagens assumem o papel de pessoas próximas. Somos nós mesmos em situações limite, socialmente repreensíveis.
Como moldura, o buraco da fechadura. O silêncio e o respirar anônimo e ofegante do lado de cá inquieta tanto quanto o que acontece lá dentro. Em vários depoimentos, Nelson Rodrigues fala sobre este olhar: algo como espreitar, ver sem ser visto. O que não era para ser visto, o que era pra ficar entre quatro paredes, ou no máximo em família. Afinal, é sempre bom lembrar: às vezes estamos aqui, outras estamos lá.

(Foto de Chico Nogueira)

SERVIÇO
BURACO DA FECHADURA
Teatro Antônio Carlos Kraide
Portão Cultural
Avenida República Argentina, 3430, Água Verde
Telefone: (41) 3314-5063
De 1º a 26 de agosto
Quartas-feiras às 17h e 20h
Quintas, Sextas e Sábados às 20h, Domingos às 18h
Ingressos: Quartas – 1 kg de alimento não perecível
Quinta a domingo – R$ 10 e R$5


FICHA TÉCNICA:
Adaptação, dramaturgia e direção: RAFAEL CAMARGO
Cenografia: MARIA BAPTISTA e GABRIEL GALLARZA
Figurino: PAULO VINÍCIUS
Direção musical: LEONARDO PIMENTEL
Trilha sonora: RUÍDO BRANCO PRODUÇÕES
Arranjos: GUILHERME MIÚDO, LEONARDO PIMENTEL e LUCAS MELO
Iluminação: BETO BRUEL
Cenotécnicos: ALFREDO GOMES e ADILSON MAGRÃO
Operador de som: LEONARDO PIMENTEL
Operador de luz: FERNANDO DOURADO
Fotografia: CHICO NOGUEIRA
Assessoria de Imprensa: PAULA MELECH
Comunicação visual e ilustração: LEONARDO PIMENTEL
Idealização: DIEGO MARCHIORO
Elenco: ADRIANO PETRMANN, DIEGO MARCHIORO, MARCEL GRITEN, MARTINA GALLARZA, ROSANA STAVIS e PAGU LEAL.
Produção: RUMO EMPREENDIMENTOS CULTURAIS
Realização: RUMO e COLETIVO PORTÁTIL DO THEATRO DE ALUMÍNIO.

domingo, 22 de julho de 2012

A FALSA SUICIDA


A FALSA SUICIDA, montagem da Inksis Produções Artísticas, fez temporada no Espaço Cênico de Curitiba no último mês de Junho. Na época da estreia não consegui escrever sobre o trabalho porque foi um período bastante corrido e acabei ficando sem tempo para escrever aqui no Blog.

De qualquer forma, não poderia ficar sem comentar sobre este trabalho. Esta foi uma daquelas boas experiências que faz valer a pena tanta correria que se tem quando estamos produzindo um novo espetáculo de teatro.


Foi a primeira direção do meu querido amigo Leandro Daniel Colombo, artista com quem eu já estava acostumado a trabalhar na companhia Vigor Mortis, onde eu trabalho com cenografia e figurino. Nossa relação agora se deu em outra camada - o Dani agora foi o Diretor e eu o cenógrafo – nos vimos de forma diferente e acionamos novas possibilidades de trabalho. O resultado disso é que a nossa parceria deu muito certo e ainda quero trabalhar novamente com o Dani, independente da função em que estaremos.  Integrando a equipe de criadores, estava um amigo em comum, Wagner Corrêa, iluminador, já parceiro meu e do Dani de vários trabalhos anteriores.  O desenvolvimento de um trabalho verdadeiramente em equipe foi  super bacana. Adorei a direção do Dani, a Luz do Waguinho e, modestamente, o meu cenário, mas independente do resultado em que chegamos o processo foi muito prazeroso, muitas reuniões aconteceram durante os nossos almoços, ensaios aconteceram durante nossas manhãs ou nossas noites. Acho que soubemos aproveitar a oportunidade de juntar numa mesma jornada trabalho e amizade, sempre com carinho e admiração.  Nós três estávamos ligados ao 220w, enlouquecidos, estreando e compartilhando este e outros trabalhos ao mesmo tempo. Foi lindo!
Este post vem mais como uma comemoração de uma experiência pessoal entre artistas amigos, que se admiram e se respeitam, valorizando os processos e tempos de cada um, do que como um texto informativo sobre o espetáculo. Espero que A FALSA SUICIDA faça uma nova temporada e que todos vocês possam assistir, tenho certeza de que a nossa sintonia de trabalho ficou registrada nas imagens e lugares da peça.

Aproveito o post também para agradecer os demais artistas e parceiros do espetaculo: Bia, Vadeco, Maureem, Bertazzo, Ana, Felipe, Adri e Tonio. Foi um prazer estar com vocês e compartilhar do talento e da amizade de todos. Mesmo eu estando sempre mais próximo do Dani e do Wagner, pude compartilhar de momentos bem lindos e criativos com vocês. Muito obrigado.


FICHA TÉCNICA DO ESPETÁCULO:
Texto ANGÉLICA LIDDDELL
Tradução ANA CLARA FISCHER
Direção LEANDRO DANIEL COLOMBO
Elenco ANA CLARA FISCHER e LUIZ BERTAZZO
Preparação corporal TONIO LUNA
Figurino MAUREEN MIRANDA
Assistente de figurino FELIPE CUSTÓDIO
Sonoplastia VADECO
Cenário PAULO VINÍCIUS
Iluminação WAGNER CORRÊA
Assessoria de imprensa RODRIGO BROWNE
Fotografia MARCO NOVACK
Design gráfico ADRIANA ALEGRIA
Direção de produção BIA REINER
Realização INKSIS PRODUÇÕES ARTÍSTICAS

Este espetáculo estreou em 07 de Junho de 2012 no Espaço Cênico de Curitiba.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Leitura dramática de quadrinhos: CACHALOTE

CENA HQ BRASIL

Dando continuidade ao projeto Cena HQ Brasil, o Teatro da caixa apresenta neste dia 11 de Julho a leitura de CACHALOTE, uma das mais celebradas graphic novels brasileiras dos últimos tempos, de autoria de Rafael Coutinho e Daniel Galera.

O projeto foi concebido no final de 2009, quando a Cia Vigor Mortis, sob a direção de Paulo Biscaia Filho, foi convidada a apresentar no Espaço Cênico uma leitura dramática com obra literária de um autor curitibano. A primeira ideia que lhe veio a mente foi buscar um autor que dialogasse com a linguagem da Vigor Mortis. O diretor resolveu então encenar uma leitura de Folheteen do quadrinhista José Aguiar, com quem depois escreveu Vigor Mortis Comics. O formato de ler em cena uma obra em quadrinhos foi tão interessante que Biscaia e Aguiar resolveram ampliar isso para um projeto de diversas leituras.

Com patrocínio da Caixa, o projeto Cena HQ Brasil traz leituras mensais ao Teatro da Caixa de 9 Graphic novels dos mais instigantes autores nacionais. Com curadoria de autores de José Aguiar e curadoria de encenadores de Paulo Biscaia Filho, o programa faz com que esses inusitados encontros entre quadrinhos e cena deflagrem discussões sobre a produção de quadrinhos no Brasil. Cada leitura é seguida de um debate entre o encenador e o autor da obra. Em março o projeto teve sua abertura com VIGOR MORTIS COMICS, dirigida por Dimis Sores da Cia Bife Seco. Em abril, foi a vez da super premiada ACHADOS E PERDIDOS, dos mineiros Luis Felipe Garrocho e Eduardo Damasceno, com direção de Nina Rosa. Em maio, YURI – QUARTA FEIRA DE CINZAS, de Daniel Og recebeu leitura com a encenação de Paulo Biscaia Filho. No mês passado foi a vez de receber a presença de Lourenço Mutarelli apresentando seu detetive Diomedes.

Agora é a vez de CACHALOTE, de Daniel Galera e Rafael Coutinho. A direção de cena para a leitura é de Luciana Barone. Em cena estão Paulo Vinicius, Luiz Bertazzo e Airen Wormhoudt. A trilha sonora original será executada ao vivo pelo musico Felipe Ayres.

CACHALOTE

São seis histórias, independentes, mas aparentemente unidas pelo misterioso navegar de um cachalote, a maior das baleias com dentes. De um lado, um decadente ator chinês suspeito de participar da morte do astro do filme, enquanto um garoto mimado é enviado a Paris para se tornar responsável; de outro, um escultor famoso e controverso, que aceita participar de um filme baseado em sua vida por pura vaidade, enquanto um jovem vendedor de ferragens, adepto da dominação sexual com cordas, se apaixona por uma garota que gosta da mesma perversão; e, por fim, um escritor deprimido que se encontra com a ex-mulher a fim de manter esse vínculo afetivo, enquanto uma velha mulher, grávida e solitária, vaga por sua mansão onde tem encontros oníricos com uma baleia na piscina.
Cachalote é o resultado da costura dessas tramas, graphic novel nacional de Daniel Galera (texto) e Rafael Coutinho (desenhos) publicado pela Companhia das Letras. Fruto de um trabalho de dois anos, a obra traz um rebuscamento visual em preto e branco, além de um roteiro milimetricamente concebido, de forma a não permitir nenhum cruzamento das histórias mas, ao mesmo tempo, fazer acreditar que todas se apoiam sob o mesmo fio invisível.


“Procurei trabalhar o subtexto das tramas de Cachalote como se fossem contos, insinuando os principais conflitos e emoções dos personagens por trás do que está explícito e dando chaves para que o leitor possa acessar essas camadas mais profundas”, conta Daniel Galera. “Muitos aspectos narrativos do livro são análogos ao que busco alcançar quando escrevo prosa.” Apontado como um dos grandes nomes da nova geração de escritores nacionais.

Rafael Coutinho – filho do cartunista Laerte – conheceu Galera em 2007 e, desde então, decidiram trabalhar juntos, fechando uma parceria mesmo sem ter a trama rascunhada.

O primeiro passo foi uma série de textos de Daniel Galera, que inspiraram um roteiro mais técnico, com indicações de distribuição de diálogos pelos quadrinhos. “Ainda que Cachalote seja resultado de uma mistura de ideias e argumentos originais, meus e do Rafa, creio que nas etapas iniciais a minha voz literária se impôs no desenvolvimento das histórias”, conta o escritor.

           A leitura de CACHALOTE traz ainda o músico Felipe Ayres para fazer a sonoplastia ao vivo. Serã mostradas na leitura três das seis histórias da HQ. O roteirista e autor Daniel Galera estará presente para um bate papo logo após a apresentação da leitura.

Nos próximos meses, o projeto trará outros artistas consagrados como André Diniz, Sandro Lobo entre outros. As direções estarão sob a batuta de grandes nomes do teatro curitibano como Edson Bueno, Sueli Araújo e Marcio Mattana.

Serviço:
CENA HQ BRASIL apresenta CACHALOTE
De Rafael Coutinho e Daniel Galera
Leitura Cênica com direção de Luciana Barone
Elenco: Paulo Vinicius, Luiz Bertazzo e Airen Wormhoudt.
Participação do músico Felipe Ayres
Onde: CAIXA CULTURAL, Rua Conselheiro Laurindo 280. Informações: (41) 2118-5111. Ingresso: um livro de quadrinhos ou um livro não didático.
Cena HQ Brasil.
Realização da Vigor Mortis e Quadrinhofilia.
Patrocínio: CAIXA.


quarta-feira, 30 de maio de 2012

Estreia DE VOLTA AO COMEÇO, uma produção infantil da Figurino e Cena Produções Artísticas


A Figurino e Cena Produções Artísticas estreia no próximo dia 14, o espetáculo infantil DE VOLTA AO COMEÇO.  A temporada de estreia será curta, duas semanas, termina no dia 24. Faremos sessões nas quintas e sextas às 15:30h e aos sábados e domingos às 16h.
 De volta ao começo
            Este trabalho foi criado e desenvolvido a partir de uma história de sentimentos. É extremamente pessoal, mas nem por isso deixa de ser universal. Trata de emoção, partimos do princípio de que se for sentimento deve ser verdadeiro, então não tivemos medo de ser ou não piegas, pesamos a mão no coração, já que todos nós temos um de verdade batendo dentro do peito. Que isso fique claro no trabalho, desde já, é como se fosse um trato entre nós, artistas e plateia: Estamos falando de sentimentos, mais precisamente da educação sentimental, das crianças e dos adultos.
            Esta peça é para todos os adultos e crianças que um dia viveram uma história no mundo, juntos, seja essa história curta ou alongada, mas que tenha durado o suficiente para ser eterna.  É uma homenagem para minha afilhada Beatriz, uma criança com quem aprendi realmente muitas coisas do coração. O tempo onde a ação foi pensada é um tempo interno, lugar aonde os segundos parecem horas e os anos parecem semanas. O tempo passa muito depressa aqui, basta apenas piscar! Beatriz hoje está com nove anos, mas me lembro como se fosse ontem a primeira vez que a levei para uma peça de teatro, aos dois anos de idade.
            Há muito tempo quero fazer este trabalho, mas acredito que o melhor tempo para que ele tenha acontecido seja realmente o agora, neste ano de 2012. Olhando agora para o espetáculo pronto, reconheço nele vários sonhos que eu tive quando criança, sonhos com o teatro sempre que sempre ocupou um lugar de muita importância dentro de mim.
            Esteticamente, mesmo que muito diluídas, percebo nitidamente as citações que faço, no figurino principalmente, aos espetáculos do grupo XPTO da década de 90, ao figurino do Balé Triádico de Oskar Schlemmer e aos programas infantis da TV Cultura na década de 80 e 90. Quando criança quis muitas vezes ser o Narrador Aviador da primeira cena, por exemplo, ou um dos mergulhadores que abrem a segunda cena do espetácul
            São muitas histórias que, reunidas, formam uma que, por sua vez, não termina, mas que volta ao começo.

            A trilha sonora, letras e musicas, foi composta originalmente para o espetáculo e completa o roteiro com ideias e informações sobre tudo aquilo que gostaríamos de falar, mas que, por uma questão de linguagem artística, as cenas não dariam conta de mostrar.
            Para facilitar a comunicação e manter um espaço vivo entre o público e os artistas do espetáculo, criamos um blog que se dedicará a manter sempre atualizadas as informações sobre este trabalho. O endereço do Blog é: http://omundogiraaosteuspes.blogspot.com.br
Produções
Venho ha algum tempo criando parcerias de trabalho com alguns artistas, grupos e companhias de teatro. Neste ano de 2012 passei também a produzir trabalhos pela minha produtora, a Figurino e Cena Produções Artísticas. DE VOLTA AO COMEÇO é a minha segunda produção autoral, a primeira foi SAPATARIA ROCOCÓ.
            Vejo necessidade em estar constantemente trocando com artistas diferentes, de lugares e pensamentos distintos, dos meus e dos outros. As afinidades muitas vezes acontecem. Alguns desencontros também. É normal. No geral, me dedicarei, as vezes em produzir trabalhos que eu não poderia desenvolver com outros diretores e artistas, por isso as vezes vou querer dirigir um espetáculo (como este, por exemplo) ou porque vou querer atuar. Para ser somente ator convidarei outros diretores, dramaturgos, figurinistas, etc. Vejo também nessas produções próprias a oportunidade de trabalhar com artistas que admiro muito e que talvez não fosse possível.


            Esperamos que este trabalho ainda seja apresentado em muitas outras temporadas, que várias pessoas possam também se emocionar com as nossas histórias e com o nosso trabalho.
            Apareça para nos ver e nos conhecer, a partir do dia 14 de Junho estamos de volta ao começo.

SERVIÇO
De 14 a 24 de Junho de 2012 – Quintas e Sextas as 15:30h – Sábados e Domingos as 16h – MINIAUDITÓRIO do Teatro Guaíra – Rua Amintas de Barros s/n – Curitiba/PR.
Ingressos: R$20,00 (inteira) – R$10,00 (meia) – Quintas e Sextas todos pagam meia entrada.

Ficha Técnica:


Direção: PAULO VINÍCIUS
Composição Musical / Trilha original: LUIZ SADAITI
Direção Musical: JUNIOR PEREIRA
Iluminação: WAGNER CORRÊA
Maquiagem: LUIZ LOPES
Coreografias: MICHELLE RODRIGUES 
Desenhos: MARCELO BERGAMO
Design gráfico: JOHNNY LEAL
Elenco: JOHNNY LEAL, JULIANA LANG, LUCAN VIEIRA e MICHELLE RODRIGUES
Realização e Produção: FIGURINO E CENA PRODUÇÕES ARTÍSTICAS


Informações:
41) 9665-3643
figurinoecena@gmail.com
http://omundogiraaosteuspes.blogspot.com.br/

domingo, 29 de abril de 2012

VIGOR MORTIS: Companhia de teatro curitibana faz 15 anos e comemora com espetáculo homenageando José Mojica Marins.


Paulo Biscaia Filho comanda há 15 anos uma das principais companhias de teatro em Curitiba, a Vigor Mortis - Vídeo, Stage e Words, que neste ano de 2012 completa 15 anos de atividades desde o seu surgimento.
A companhia foi fundada em 1997 com o espetáculo PEEP, ATRAVÉS DOS OLHOS DE UM SERIAL KILLER, de lá para cá vieram DCVXVI – EIS O FILHO DA LUZ (em 1999) , MOBY DICK E AHAB NA TERRA DO SOL (2004), MORGUE STORY – SANGUE, BAIACU E QUADRINHOS (também em 2004), SNUFF GAMES (Outubro de 2004), GRAPHIC (2005), PINCÉIS E FACAS (2006), DIMENSÃO DESCONHECIDA (também em 2006 em parceria com o grupo Antropofocus), GAROTAS VAMPIRAS NUNCA BEBEM VINHO (2007), HITCHCOCK BLONDE (2008) e SANTA E DOMÊNICA (Também em 2008). No ano de 2009 a companhia faz a peça NERVO CRANIANO ZERO (que depois virou filme em 2011) e MANSON SUPERSTAR. Em 2010 estreia os PEEP SHOWS, peças curtas baseadas no cinema de horror francês e THE FORSAKEN . Em 2011 é a vez de OS CATECISMOS SEGUNDO CARLOS ZÉFIRO e SEANCE, AS ALGEMAS DE HOUDINI.

O espetáculo de comemoração dos 15 anos é À MEIA NOITE LEVAREI TEU CADÁVER, uma homenagem da companhia para o diretor de cinema José Mojica Marins, criador do personagem Zé do Caixão, criatura que, segundo Paulo Biscaia, “ele não fez folclore brasileiro, ele é o folclore brasileiro”. Em cena está o ator Leandro Daniel Colombo interpretando Gregório General, um cineasta pressionado pelo seu produtor para desenvolver projetos de cinema. Atormentado, ele encontra com o Mojica numa situação bastante engraçada e a partir daí desencadeia uma série de acontecimentos, chegando até ter seu cérebro totalmente possuído pelo Zé do Caixão e cometer loucuras e atrocidades no melhor bom humor já característico da companhia. Contracenam com Leandro Daniel, em vídeos projeções, o ator Luiz Bertazzo, as atrizes Carolina Fauquemont e Íria Braga e o próprio Mojica Marins numa participação super especial.

À MEIA NOITE LEVAREI TEU CADÁVER fica em cartaz no TUC (Teatro Universitário de Curitiba) até 13 de Maio, sempre de quarta à domingo em duas sessões, as 19h e 21h, com entrada franca. A capacidade do teatro é para 70 pessoas e a bilheteria abre sempre uma hora antes do início de cada espetáculo.
EQUIPE:


Texto: PAULO BISCAIA FILHO e LEANDRO DANIEL COLOMBO
Direção e Vídeos: PAULO BISCAIA FILHO
Elenco: LEANDRO DANIEL COLOMBO, CAROLINA FAUQUEMONT, IRIA BRAGA, LUIZ BERTAZZO.
Participação especial: JOSÉ MOJICA MARINS
Direção de Produção: MARCO NOVACK
Cenário e Figurino: PAULO VINÍCIUS
Iluminação: WAGNER CORRÊA
Sonoplastia: PAULO BISCAIA FILHO
Maquiagem: MARCELINO DE MIRANDA
Ass. de figurino: DAY BERNARDINI
Ass. de Produção: NIKA BRAUN
Cenotécnico: BIRA PAES
Operador de Luz: ÉRICA MITIKO e ALEX MARQUES
Operador de som e vídeos: EUGENIA CASTELLO
Ilustração: ZANSKY
Design: FABIANO VIANNA
Fotografia: MARCO NOVACK
Realização: VIGOR MORTIS VIDEO STAGE AND WORDS

quarta-feira, 28 de março de 2012

SAPATARIA ROCOCÓ

 
Existem coisas que querem nascer e eu simplesmente deixo. Não tão simplesmente, porque nada é tão simples. Uma ideia só sai do domínio do pensamento com algum esforço, muita dedicação e uma enorme paixão pelo que se teve.  Geralmente, durante os processos, as descobertas acontecem. Elas aconteceram comigo.
Descobrir o prazer que dá alimentar uma ideia até que ela se transforme em matéria, descobrir aquilo que se constrói diante dos olhos com o trabalho é surpreendente. A partir daí, o que se faz é recompensador. O projeto da SAPATARIA ROCOCÓ foi assim.
Para realizar esse trabalho, me permiti continuar buscando o Barroco, o Kitsch, através de materiais, formas e cores. Essa pesquisa já tinha iniciado anteriormente na criação do figurino para o espetáculo MENTIRA! dirigido por mim em 2010. Este é um novo momento da pesquisa e sinto que essa busca não se encerrará aqui.
Os encontros também acontecem. Neste trabalho, alguns amigos queridos, artistas super talentosos, aceitaram meu convite, se contagiaram com minhas questões e me devolveram uma série de outras descobertas sobre o trabalho, cada um ao seu jeito, mas totalmente integrados ao desenvolvimento do projeto. Só tenho a agradecer pelos encontros no projeto SAPATARIA ROCOCÓ.


Obrigado Fer, queridão, de papos colossais, sempre geniais e com muitas gargalhadas.  Seus questionamentos sempre foram reveladores para entender que história de sapatos era essa que estava nascendo. Obrigado por tanta atenção. Foi um privilégio!
Marco, fotógrafo impecável e amigo querido, paciente, técnico, criativo e perfeccionista – você deu ao trabalho o valor que ele ainda não tinha. Foi luxuoso ter você comigo: Obrigado pela arte, confiança e competência!
Carol, você é pura elegância e puro profissionalismo, muito obrigado pelo carinho que dedicou ao trabalho, por tantas proposições e por sua presença adorável e marcante. Esquecer que você era vegetariana foi o maior mico da minha vida!  
Pablito, meu parceiro querido, você definiu com muita personalidade o acabamento artístico do trabalho. Você propôs grandes lugares e poesias. Adoro o seu jeito de ver as coisas e a sua relação com o trabalho. Estar com você sempre é confortável e acolhedor.
E Lis, minha sempre professora, doutora do figurino, parceira de trabalhos, amiga que sempre me foi muito carinhosa. Que bom poder contar com você, muito obrigado por aceitar o convite, obrigado por psicografar o que ali estava. Você retornou ao trabalho a impressão de que ele necessitava.

SAPATARIA ROCOCÓ é uma exposição virtual de doze pares de sapatos customizados por mim. É o resultado do encontro entre parcerias artísticas fantásticas. Apareça para nos visitar, pode chegar, é só entrar: http://www.sapatariarococo.blogspot.com.br/

EQUIPE:
Figurinista: PAULO VINÍCIUS - Fotógrafo: MARCO NOVACK - Designer gráfico: PABLITO KUCARZ - Assistente de fotografia: CAROLINA FAUQUEMONT - Texto incidental: AMÁBILIS DE JESUS - Assessor de imprensa: FERNANDO DE PROENÇA.

domingo, 25 de março de 2012

FESTIVAL DE CURITIBA 2012

Como em todo ano, esses dias que antecedem a abertura do Festival de Curitiba são sempre intensos e corridos. Alguns espetáculos, que participei como cenógrafo e (ou) figurinista, voltam em cartaz e preciso acompanhar as montagens e rever detalhes. Do no passado volta agora para mais quatro apresentações o espetáculo A CIDADE, uma encenação da Inominável Companhia de Teatro para o texto de Martin Crimp, dirigido por Marcio Mattana. Deste início de ano volta DARWIN, da Processo MultiArtes , dirigido por Fábio Salvati. Outros trabalhos estreiam durante o Festival, daí tanta correria.  A VACA PRÓDIGA, do teatro de Breque, dirigido por Nina Rosa Sá está estreando e fiz alguns adereços para a encenação. Ambos os três espetáculos integram a mostra Novos Repertórios que acontecerá no Teatro da Caixa Cultural, estão todos convidados.
                O Festival inicia no próximo dia 28  de Março e acontece até o dia 08 de Abril. Nessa edição teremos algumas boas surpresas como O IDIOTA de Cibele Forjaz e GARGÓLIOS de Gerald Thomaz, espetáculos que não dá pra deixar de ver. Também comprei ingressos para outros trabalhos, de artistas que já conheço como ECLIPSE do Grupo Galpão, por exemplo, e HÉCUBA de Gabriel Villela. Além destes, fiz também outras apostas, espetáculos que escolhi sem nenhuma indicação segura, apenas apostei no texto ou na proposta de linguagem e fico torcendo  para serem gratas surpresas também.
                Como em todo ano também, ficaremos um pouco atrapalhados, artistas e público, devido a quantidade de espetáculos acontecendo. Ainda sou defensor da qualidade no lugar da quantidade e gostaria que o Festival acontecesse em outro formato, mas como sei que não adianta insistir, faço vista grossa e tento aproveitar tudo o que for bom e tudo o que eu conseguir.
                Tem um clima bom pelas ruas da cidade, onde muita gente bacana procura ser surpreendia pelas atrações e se abrem para as boas propostas.  Outra gente, que não se relaciona com o movimento cultural e, sobretudo, teatral de Curitiba, sai de casa no Festival para assistir ou apresentar espetáculos.  Todo ano me esbarro em vários acontecimentos interessantes.  Surpreendo-me com os nomes das peças, com o comportamento das plateias e com a visão dos artistas. Como toda surpresa o efeito pode ser positivo ou desastroso. Tem de tudo: delícias e bizarrices. Já sei que a felicidade pode ser pura questão de sorte, mas como não tenho preguiça, me jogo e vou fundo.
                Estou na área, como diria um parceiro querido, e espero que a gente se encontre.
                Tenham todos um bom Festival!

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Processo MultiArtes estreia DARWIN


Nesse dia 23 de fevereiro a Processo MultiArtes estreia a peça de teatro DARWIN, minha segunda parceria com a produtora (a primeira foi no longa metragem GOL A GOL quando eu fiz o figurino do filme). Desta vez sou o responsável pela cenografia do espetáculo.
 
Neste post trago as informações sobre a temporada e as demais informações divulgadas pela assessoria de imprensa do espetáculo.

(Parte do elenco na foto de Marco Novack)
SINOPSE: Reconhecida pelo trânsito em cinema, literatura e teatro, a Processo Multiartes volta aos palcos, dessa vez em parceria com o diretor Fabio Salvatti, para levantar reflexões e inquietações a partir da obra do cientista Charles Darwin. O espetáculo “Darwin” estréia dia 23 de fevereiro no Teuni, onde cumprirá temporada de cinco semanas. Em março, participa da Mostra Novos Repertórios, no Festival de Curitiba.

Com ingredientes multimídia, poesia e humor crítico, o espetáculo toma como ponto de partida a obra “Origem das Espécies”, revolucionário livro do pesquisador britânico. A partir das teorias de Darwin, a montagem promove um mergulho em questões da sociedade contemporânea, expandindo suas implicações para outros campos que não os exclusivamente biológicos.

Xenofobia, neoliberalismo, pesquisa genética, evolucionismo, criacionismo no ambiente da escola e movimentos fascistas são alguns dos temas abordados – sempre a partir de possíveis “ecos” do pensamento evolucionista na atualidade. O enunciado segundo o qual “os mais aptos sobrevivem” é repensado, do ponto de vista da sociedade contemporânea, para medir e avaliar suas conseqüências atuais.

Não se trata de uma adaptação da obra de Darwin, mas sim a construção de uma dramaturgia original. A peça tem roteiro criado a partir de um processo colaborativo entre atores e diretor, utilizando também materiais não dramáticos, como notícias e relatos científicos. Trechos de obras como Rei Lear, de Shakespeare, e Catatau, de Paulo Leminski, também fazem parte da mistura de referências. Músicas da trilha sonora, composta por Octávio Camargo para a montagem, e os vídeos criados pelo diretor Fábio Allon, também produzidos especialmente para o espetáculo, completam os recursos da dramaturgia.

O resultado – apresentado no formato de uma “peça-conferência”, sem personagens ou enredo – busca principalmente levantar questionamentos, mais do que apontar respostas. Com ironia e uma linguagem teatral ágil, o espetáculo mistura história, ciência e política. Pelos caminhos desta expedição poética e cênica, vê nos homens de hoje, e em sua sociedade, os “sinais indeléveis de sua origem primitiva”.

(Momento da cenografia fotografado durante o ensaio do espetáculo)


 EQUIPE:
Direção: Fabio Salvatti
Com: Andrew Knoll | Alan Raffo | Carolina Fauquemont | Chiris Gomes | Marisia Bruning
Produção Executiva/Direção de Produção: Adriano Esturilho
Cenário: Paulo Vinícius
Figurinos: Maureen Miranda
Iluminação: Nadia Luciani
Direção Musical: Octavio Camargo
Criação de Vídeos: Fábio Allon
Operação de Vídeos: Eugenia Castello
Assistência de Direção: Semy Monastier
Assistência de Produção: Milena Buzzetti | Judite Fiorese
Realização: Processo MultiArtes


(foto divulgação)


SERVIÇO:
De 23/02 a 25/03 no TEUNI (Praça Santos Andrade - Prédio Antigo da Federal, segundo andar)
De quinta a domingo, sempre as 20h.
ENTRADA FRANCA

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

CENO-GRAFIAS

(A CIDADE - espetáculo da Inominável Companhia de Teatro - foto de Anderson Fregolente)

Perguntaram-me qual era a minha definição de cenografia. Antes de responder com aqueles velhos clichês que sempre vem na cabeça, fiquei pensando como eu poderia contribuir para uma definição que realmente dialogasse com o trabalho que venho desenvolvendo e com as questões que realmente me interessam na construção de uma cenografia teatral. Depois de algum tempo pensando, respondi que cenografia era uma RELAÇÃO. Pois bem, relação com o quê? Podemos pensar a cenografia como uma relação espacial que se dá dentro do espetáculo e também entre o espetáculo e a platéia, por exemplo. Cenografia é a relação da cena com a luz, da luz com os objetos de cena. Cenografia é toda a relação iconográfica ou puramente plástica que se dá entre o corpo do ator e todos os outros elementos cênicos diante do público. Portanto, cenografia é o resultado da relação entre o espaço cênico, a iluminação, o desenho da cena, o movimento do ator e a assinatura do diretor diante dos olhos do espectador. Grosso modo, entretanto, podemos pensar numa cenografia sem cenário, mas nunca num espetáculo sem cenografia, pois, mesmo sem ser elaborada, a cenografia sempre existirá.
            A partir daí, fiquei bastante curioso para saber como os outros artistas ou teóricos, que também pensaram a cenografia em algum momento das suas respectivas trajetórias, definiram a arte do cenário. Entre os registros disponíveis, com grifos meus, encontrei as seguintes definições:
LUIZ PAULO VASCONCELLOS:
            “É a arte e a ciência da criação do cenário. Cenário é o arranjo dado à cena através da linguagem visual, pictórica e arquitetural. O conceito de cenário tem variado de acordo com a estrutura do palco e as convenções do espetáculo de diferentes épocas.”
J. C. SERRONI:
“Arte e técnica de criar, projetar e dirigir a execução de cenários. O cenário é o conjunto dos diversos materiais e efeitos cênicos (telões, bambolinas, bastidores, móveis, adereços, efeitos luminosos, projeções etc.) que serve para criar a realidade visual ou a atmosfera dos espaços onde decorre a ação dramática; a cena.”
ANNA MANTOVANI:
“Falamos que a cenografia é uma composição visual em um espaço tridimensional – no lugar teatral. Chamamos de lugar teatral o lugar onde é apresentado o espetáculo e onde se estabelece a relação cena/público. No teatro, o lugar cênico é o palco, que, como edifício, muda de uma época para outra e de um país para o outro.”
PATRICE PAVIS:
“No sentido moderno, é a ciência e a arte da organização do espaço teatral. Hoje a palavra impõe-se cada vez mais em lugar de decoração, para ultrapassar a noção de ornamentação e de embalagem que ainda se prende, muitas vezes, à concepção obsoleta do teatro como decoração. A cenografia marca bem o seu espaço tridimensional e não mais uma arte pictórica da tela pintada, como o teatro se contentou até o naturalismo.”
CYRO DEL NERO:
“É o desenho da cena. O cenário é composto por elementos plásticos que dão espaço à ação cênica. Há cenários estáveis e únicos; cenários móveis; projetados; feitos por iluminação; simbólicos e mutáveis. O cenário deve atender às exigências dramáticas e físicas da obra teatral. É um conjunto de signos plásticos, a concepção que define o espaço cênico no edifício teatral.”
MIRIAM ABY COHEN:
            “A idéia contemporânea de Cenografia exige do profissional uma ação abrangente, que inclui todos os aspectos visuais da realização teatral, amplia sua responsabilidade sobre o todo do espaço cênico e por vezes, sobre o espaço teatral, demandando afinidade entre criadores que possuem, por sua vez, processos, responsabilidades e talentos individuais. O cenógrafo é assim levado a refletir sobre sua própria capacidade em responder à estas atribuições”.
JAROSLAV MALINA:
“Cenografia é a solução dramática do espaço; se a arquitetura é uma gigantesca escultura tridimensional ao ar livre, então a cenografia é para mim, uma forma de transformar do avesso o interior de uma escultura em qualquer espaço concreto”.