terça-feira, 22 de setembro de 2009

CIASENHAS faz 10 anos e comemora com a nova temporada do espetáculo BICHO CORRE HOJE

(BICHO - foto de Elenize Dezgeniski)
Ainda dá tempo para quem quiser ver ou rever BICHO CORRE HOJE, espetáculo estreado em 2004, que fará sua última semana de apresentações no Teatro José Maria Santos em Curitiba.
Fiquei ensaiando durante o mês todo e só consegui rever o espetáculo neste último domingo.
O que já era bom está muito melhor.
Durante os anos que se seguiram desde a sua estréia, a companhia, dirigida por Sueli Araujo, mergulhou profundamente na realização de vários espetáculos, o que solidificou a pesquisa de criação cênica e fez amadurecer muito o trabalho do elenco e de toda a equipe.
Em BICHO CORRE HOJE vemos Greice Barros e Patrícia Saravy super donas da cena, inteiras. O espetáculo, além do lindo desenho de luz criado pela iluminadora Fábia Regina, tem pouquíssimos recursos visuais. Tudo acontece grandiosamente apenas pelo jogo das duas atrizes sobre a dramaturgia genial de Sueli Araujo.
Acompanho o trabalho da companhia desde 2004 e estar na platéia, curtindo e admirando o rico e autoral trabalho, sempre foi para mim um prazeroso compromisso com uma das mais importantes companhias da cena contemporânea. O prazer ainda é dobrado ao me encontrar com os amigos queridos da equipe CIASENHAS.
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BICHO CORRE HOJE está na última semana da temporada. De quarta a Sábado ás 20h e Domingo às 19h – Teatro José Maria Santos. Quartas e quintas leve um acompanhante e só pague uma entrada.
Vale a pena.



(DELICADAS EMBALAGENS, espetáculo de 2008 - foto Elenize Dezgeniski)



SOBRE A COMPANHIA

A Ciasenhas de teatro foi fundada em 1999 e, de lá para cá, vem desenvolvendo um contínuo trabalho de investigação cênica. O foco principal do trabalho da companhia é o trabalho do ator-criador no desenvolvimento da dramaturgia.
Nesses dez anos de trabalho foram realizados dez espetáculos: ALENCAR (1999), A FARÇA DE MARY HELP (2000), DEVORATEME (2001), TARTUFO (2002), JOÃO AND MARIA (2003), BICHO CORRE HOJE (2004), VÁCUO (2005), NÃO ME DEIXE MENTIR (2005), ANTÍGONA – REDUZIDA E AMPLIADA (2006) e DELICADAS EMBALAGENS (2008).
Desde 2005 a companhia realiza também, anualmente, a mostra CENAS BREVES em parceria com a Caixa Cultural. O objetivo da mostra é divulgar e fortalecer o trabalhos dos grupos que desenvolvem uma pesquisa continuada.
A dramaturgia e a direção artística da Ciasenhas é de Sueli Araujo e a produtora responsável é a Márcia Moraes. Maiores informações sobre a companhia no site: http://www.ciasenhas.art.br/

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

TEATRO DE BREQUE: A obra de Caio Fernando Abreu é o ponto de partida para a construção de CHICLETE & SOM

A obra de Caio Fernando Abreu, escritor gaucho falecido em 1996, é o objeto de estudo no processo criativo e colaborativo do novo espetáculo do Teatro de breque. Trata-se de CHICLETE & SOM, espetáculo produzido por Pablito Kucarz e dirigido por Nina Rosa Sá. No elenco estão Pablito Kucarz, Rúbia Romani, Uyara Torrente e eu. O espetáculo estreará no início do mês de Novembro no TUK, um teatro pequeno e charmoso no Largo da Ordem de Curitiba.
O texto abaixo fala um pouco sobre o nosso encontro e o nosso contato mais profundo com a obra de Caio.

(O elenco em sala de ensaio - foto de Nina Rosa Sá)


MERGULHO NA SUBJETIVIDADE REINVENTADA

Certa vez falávamos sobre a vontade de que o elemento do contraste pudesse estar presente como um possível fio condutor na criação de algumas das cenas do espetáculo. Começamos a desenvolver algumas possibilidades de criação cênica, contaminados pelas referências selecionadas na obra de Caio Fernando Abreu. Percebemos então, que a própria literatura produzida pelo escritor era um específico exemplo do contraste. Confesso que, ao mesmo tempo em que Caio escreveu textos profundamente ricos e ímpares, por outro lado, ele também escreveu alguns textos que consideramos como menos importantes e por isso não entraram na lista dos preferidos. Entre cartas, contos, crônicas, novelas, poesias, dramaturgias e romances pesquisamos muito da importante obra produzida nas décadas de 70, 80 e 90 pelo escritor.
Caio lutou muito para que a sua obra fosse reconhecida.
O escritor foi profundamente influenciado pela obra de Clarice Lispector, escritora que ele admirava muito e que chegou a conhecer e a se relacionar em vida.
De todo o material pesquisado, selecionamos contos, cartas, fragmentos, diálogos e citações para servir de roteiro na dramaturgia de CHICLETE & SOM. Além da obra deixada pelo autor, nos debruçamos também sobre dissertações e teses escritas por pesquisadores que se dedicaram ao estudo de Caio.
No processo de criação, outros artistas são responsáveis pelo desenvolvimento dos demais signos do espetáculo. Maureem Miranda assinará os figurinos, Fábio Allon as interferências em vídeo, Adriana Madeira o cenário e Nadia Naira a luz. No treinamento físico dos atores temos a preparadora corporal Mariana Gomes e o treinamento vocal de Márcia Kaiser. A programação visual está a cargo do também designer Pablito Kucarz.
Antes da estréia publicarei aqui novas informações sobre o andamento de CHICLETE & SOM, contando também como estamos conseguindo nos reinventar a partir do mergulho no universo de Caio Fernando Abreu, sua produção biográfica, ficcional e o quanto dele está em nós. E, como o próprio Caio nos ensinou, "que seja doce! "



“Sua obra parece falar de mim, para mim e de dentro de mim, como se traduzisse não só os momentos que passei, mas também coisas profundas e íntimas que eu sequer tenha verbalizado. Chega a ser meu amigo, ser próximo, falando de solidão, amor, impossibilidade do amor e ainda criando o universo em que escolhi viver na minha profissão, ser artista, do obscuro à beleza desse cotidiano. Pra mim sua obra chega no olho no olho e me arrepia.” (Rúbia Romani - Atriz)




“Conheci a obra de Caio Fernando Abreu há 3 anos, quando ganhei de presente de aniversário o livro Pequenas Epifanias. Não preciso dizer que a partir dali não desgrudei mais de sua obra, afinal de contas este trabalho é resultado de nossa imersão no universo deste autor gaúcho, jornalista por necessidade, homossexual, portador de HIV, solitário e extremamente apaixonado pela vida e pela esperança da felicidade. Foi impossível pra mim, desde meus primeiros contos lidos, não me identificar com as ausências presentes em sua obra – ausência do amor e das pessoas, mesmo quando presentes, ausência da felicidade e sua procura interminável. Apesar deste terreno inóspito que o autor visita frequentemente salta aos olhos o seu humor cínico, sutil e o seu incrível senso de humanidade e de realidade, tendo participado ativamente da vida cultural do Brasil entre as décadas de 70 à 90. Por tudo isso, por também gostar da sua literatura, é que me dediquei a pensar cenicamente sua obra por quase 2 anos.” (Pablito Kucarz - Ator e produtor)




“Conhecer a obra do Caio me faz perceber como ele vai de um extremo ao outro sem perder a força. Ele fala do homossexualismo com a mesma beleza que fala de religião, fala da podridão com a mesma beleza de quando fala do amor. Parece que ele fala pra cada uma das “Uyarainhas” que existem aqui dentro. É lindo. É poderoso. E as vezes até dói de tão bonito.” (Uyara Torrente - Atriz)

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

OBRAGEM EM DOSE DUPLA

(MMM - A MONTANHA DO MEIO DO MUNDO - foto de Luana Navarro)

A Obragem Teatro e Cia apresenta dois espetáculos no mês de setembro.
O espetáculo para crianças MMM – A MONTANHA DO MEIO DO MUNDO foi selecionado para o 13º. Fenatib (Festival nacional de Teatro Infantil) e fará três apresentações na cidade de Blumenau/ SC. A data de estréia é no dia 12 de Setembro.
MMM teve sua pré-estréia no dia 03 de julho de 2009 no teatro da Caixa em Curitiba e provavelmente ainda voltará em cartaz nos palcos da cidade até o final de 2009. Trata-se de um espetáculo composto por situações da vida de uma menina chamada MMM, uma aventura repleta de descobertas acompanhada por seus amigos MÓ, MI e MU. Juntos, eles encontram no símbolo da montanha uma maneira de vencer os obstáculos. Basicamente, quase todo o roteiro é construído por ações físicas e pouquíssimo texto. Uma narrativa onde a dramaturgia ganha maior expressão a partir da combinação de animações 2D e seqüências coreográficas dos quatro atores que construíram personagens inspirados na linguagem do universo infantil e nas obras do artista Fernando Botero.

(Em cena: Elenize Desgeniski, Fernando de Proença, Eduardo Giacomini e Paulo Vinícius - Foto de Luana Navarro)

No elenco estão Eduardo Giacomini, Elenize Dezgeniski, Fernando de Proença e eu. O texto e a direção são de Olga Nenevê e Eduardo Giacomini. A sonoplastia é de Edith de Camargo. As animações em vídeo são de Marlon de Toledo sobre os desenhos de Olga Nenevê. Quem assina a Luz é Luiz Nobre e quem a opera é Vanessa Vieira. O design gráfico é de Alessandra Nenevê. O cenário e o figurino são também do Eduardo.
Como ator pude acompanhar todo o processo criativo do espetáculo e, além de indicar, posso também dizer que o espetáculo é uma deliciosa aventura recheada de pura poesia visual e sonora.
A animação da abertura do espetáculo pode ser vista no endereço http://www.youtube.com/watch?v=0EgepccEDMs



(O INVENTÁRIO DE NADA BENJAMIN - foto divulgação de Elenize Dezgeniski)
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A segunda novidade é a estreia do espetáculo adulto O INVENTÁRIO DE NADA BENJAMIN no teatro Novelas Curitibanas no dia 17 de Setembro. Não vi nenhum ensaio, preferí a surpresa, mas segundo Fernando de Poença, assessor de imprensa da companhia, é um drama contemporâneo, com influências cinematográficas e das artes visuais. É a história de um tempestuoso triângulo formado por Martíria (Olga Nenevê) e seus dois filhos, Gabriel (Fernando de Proença) e Rafael (Eduardo Giacomini). Os três personagens estão juntos para os trâmites do inventário de Nada Benjamin. A situação de luto é dolorosa para os três personagens, que ao organizarem a distribuição de pequenos objetos experimentam conflitos e estados de grande emoção. As memórias acabam por desencadear pequenas batalhas entre os irmãos que lutam para estabelecer territórios. Ao demarcarem suas fronteiras, os irmãos criam um ambiente de tensão onde os sentimentos se misturam.O texto é resultado de uma pesquisa de dramaturgia textual original, que busca acentuar a relação entre a palavra e a fala, por meio de deslocamentos, movimentos e estudos da estrutura das palavras, com o intuito de revelar novas possibilidades de interpretação. As possibilidades de corporalidade do texto teatral são transformadas em imagens sonoras. A reflexão sobre o Tempo e sobre a mobilidade das coisas é apresentada a partir do processo relacional de uma família desestruturada pela morte da figura paterna. A narrativa do trabalho mistura o presente e o passado, por meio do deslocamento das ações no tempo, o que faz os personagens re-avaliarem suas visões de mundo”.



(Fernando , Olga e Eduardo - Divulgação - foto de Elenize Dezgeniski)


O espetáculo ficará em cartaz até o dia 18 de Outubro com sessões de quinta à sábado às 21h e aos domingos às 19h. Como fã e seguidor da Obragem desde 2004, aguardo ansioso pela estréia e chamo a atenção para todos que também gostam de teatro contemporâneo e apreciam grupos que desenvolvem uma pesquisa séria de linguagem cênica.
A gente se encontra lá.

A EFÊMERA ARTE INDOCUMENTÁVEL *

(Um instante poético de uma cena do espetáculo Recreio Pingue - pongue do diretor curitibano Márcio Mattana que esteve em cartaz no teatro Cleon Jaques em Curitiba - Foto de Ale Haro)



Fico pensando no sentido efêmero de um espetáculo, na sua duração enquanto obra de arte e de qual o melhor registro que dele fazemos para documentar a sua existência. Ao contrário da literatura que é eternizada nos livros e que estará disponível enquanto durar suas edições, de um filme que pode ser exibido milhares de vezes ou de um objeto, escultura ou pintura, que poderá ser visto nas inúmeras galerias e museus, um espetáculo é sempre passageiro e por mais que filmemos, fotografemos ou relatemos todo o seu processo de criação e de construção, nenhuma dessas linguagens dá conta de traduzir o que realmente foi o evento teatral, pois, essencialmente o teatro só existe no aqui e agora, ou seja, enquanto dura um espetáculo.
Uma filmagem não traduz uma pausa dramática, por exemplo, não relata o volume e a atmosfera criados pela luz, não diz quase nada a respeito do som das palavras. Por isso, prefiro a fotografia que, apesar de estática e de captar apenas um instante da cena, a meu ver, reflete mais o tempo e o espaço teatral do que o vídeo.
É verdade também que muitas vezes uma fotografia pode pintar uma cena melhor ou pior do que ela foi - tudo depende da técnica e do olhar treinado do fotógrafo. Por sua vez, os melhores fotógrafos são aqueles já acostumados com o fazer teatral, porque são íntimos do tempo e do espaço da cena, são acostumados com o efeito da luz, com o corpo do ator.
Como artistas, sabemos também que nenhuma apresentação é igual à outra e que sempre há a melhor dentro de uma temporada. Essa só é válida para quem esteve presente nessa sessão. Pensando nisso, é uma pena que a emoção e a vibração sentidas no corpo do espectador ao assistir um espetáculo sejam perecíveis e, por mais duradora que seja nossa memória, a exteriorização dessa emoção também não nos vale de um arquivo.
Ainda assim, vale a pena tanto esforço e paixão. Ainda assim, vale a pena todos os dias e noites de preparação e construção de um espetáculo. Afinal, qual registro documental poderia ser mais significativo que o espaço temporal correspondente entre o terceiro sinal e os aplausos do público?


* Texto especialmente escrito para a revista Luz & Cena - Ano XI - julho de 2009 - No. 120

quarta-feira, 29 de julho de 2009

NERVO CRANIANO ZERO: Depois da estreia no Teatro da Caixa, a Companhia Vigor Mortis apresenta no ACT uma nova temporada do espetáculo.

(fotos de Marco Novack)
NERVO CRANIANO ZERO é um desses espetáculos que, quando termina, faz com que a platéia saia inflada do teatro. É uma produção de altíssimo nível dramatúrgico, plástico e técnico. Quando vocês lerem meu nome da ficha técnica, vão dizer que minha admiração pelo espetáculo é tendenciosa uma vez que fiz a cenografia. Porém, aviso, foi uma grande honra para mim estar na equipe da Vigor Mortis e ter participado do processo de criação de NERVO CRANIANO ZERO.
Estou aqui para contar um pouco deste processo e também para divulgar a nova temporada que acontece entre os dias 06/08 e 30/08 no ACT – Atelier de Criação Teatral em Curitiba. Se você quiser realmente ver um espetáculo de qualidade, após ler este texto, não perca a oportunidade e reserve com antecedência seu ingresso para a próxima temporada. Depois disso, tenho a certeza de que vão concordar comigo e saber que eu não estou exagerando.




MINHA PRIMEIRA DIVERSÃO
A primeira vez que li o texto de NERVO CRANIANO ZERO, escrito pelo também diretor da Vigor Mortis Paulo Biscaia, foi a minha primeira grande diversão no processo. O texto é ótimo, uma bela história de ficção que se desenrola sobre dados científicos e nos apresenta personagens tão bem construídas e tão bem localizadas num tempo e lugar determinados a nos prender por todo momento dentro da trama. Pode virar livro, só basta o Paulo querer.
Na sinopse, divulgada no site da companhia, lemos; “A Dra. Barbara Bava perdeu sua licença médica após um acidente durante pesquisas com sua nova criação. O chip Melpomene. Um indutor de dopamina instalado no nervo craniano zero. O objetivo do chip era estimular a criatividade em seus pacientes: No entanto, Bava é surpreendida por uma reação inesperada do chip: seus usuários não mais tinham circulação de sangue, nem fome ou sono. Ainda assim, o chip era capaz de regular todas as funções mantendo o corpo ativo e com uma capacidade infinita de criatividade sempre que a dopamina é estimulada. Bruna Bloch é uma escritora de sucesso que, temendo não ter mais inspiração para escrever novos best sellers, contrata a Dra. Bava para continuar suas experiências e posteriormente instalar o chip em Bruna. Antes de fazer isso porém, é preciso ter certeza do funcionamento do chip em seres humanos. Bruna então publica um anúncio em jornal contratando uma cobaia para o experimento. A única a responder é Cristi Costa, uma simplória garota do interior com sonhos de ser uma grande cantora. Seus sonhos são quebrados após ser nacionalmente humilhada em um programa de calouros na TV. Não há outra saída para Cristi senão aceitar ser uma cobaia com o chip Melpomone em seu Nervo Craniano Zero. A peça marca a volta da Vigor Mortis ao estilo tradicional do Grand Guignol, mas com uma roupagem que rende homenagem a filmes de David Cronenberg e a obras de terror italianas da década de 70 e 80 como os filmes de Dario Argento e Lucio Fulci.”

SOBRE O PROCESSO E A EQUIPE
Criar a partir do texto que já estava escrito, a partir das especificações do Paulo Biscaia sobre a estética do espetáculo, poder contribuir para o desenvolvimento do processo e me adequar aos demais profissionais que compunham a equipe técnica foi um grande e afinado prazer.
Paulo Biscaia sabe muito bem o que quer e também sabe preparar sua equipe. Ele trabalha rápido. Sabe linkar uma área na outra e faz o processo andar. Apesar de toda essa habilidade em comandar, ele sabe também atribuir uma grande margem para os artistas que compõem a equipe criar. Foi assim comigo, com o iluminador Wagner Correa, com o elenco e demais artistas da equipe. Sempre me senti muito presente no processo. A Vigor Mortis é uma companhia que sabe trabalhar em equipe, todos respeitam muito o trabalho de cada profissional envolvido. A produção foi, o tempo todo, acompanhada e coordenada pela produtora Tânia Araujo, uma profissional prática, competente e, sobretudo, muito querida.
O desenvolvimento do cenário foi também acompanhado pelo iluminador Wagner Corrêa. A luz de Wagner valoriza a cenografia, pontua e desenha os diferentes momentos da trama. É também ponto determinante para a resolução plástica do espetáculo.
Os vídeos e projeções, criados e desenvolvidos pelo próprio Biscaia, continuam sendo alguns dos elementos mais brilhantes da linguagem cênica proposta pela Vigor. Como já disse certa vez aqui no blog, Paulo Biscaia faz isso melhor do que ninguém. As projeções dão um show e costuram brilhantemente as cenas. Como sempre, não estão gratuitamente no espetáculo, são também elementos de desenvolvimento da dramaturgia. Tudo muito sofisticado e preciso.
As personagens ganham forma e conteúdo através das atrizes Michelle Pucci (Bruna Bloch), Rafaela Marques (Cristi Costa) e Simone Martins (Barbara Bava). São bem construídas e estão totalmente presentes na cena. Nas projeções, outros atores contracenam com o elenco principal: Leandro Daniel Colombo, Karla Fragoso, Wagner Corrêa e Carolina Fauquemont.



NOVA TEMPORADA
Quem não conseguiu ver as apresentações no Teatro da Caixa, tem agora uma nova oportunidade. O espetáculo entra em cartaz no próximo dia 06 de Agosto no ACT. Para o novo espaço, algumas reformulações serão necessárias. Tanto o cenário quanto a luz ganharão novos cuidados porque o espetáculo dialogará de forma diferente com o novo espaço cênico. A platéia também assumirá um lugar mais próximo da cena, o que, com certeza, propiciará um novo olhar sobre o espetáculo. É também uma boa oportunidade de rever para quem já viu. No mês de Setembro, a Vigor Mortis estará no Rio de Janeiro fazendo também uma curta temporada de apresentações do espetáculo no Teatro da Caixa.
SERVIÇO: De 06 a 30 de Agosto no ACT – Atelier de Criação Teatral (Rua Paulo Graeser Sobrinho 305 - Curitiba). Quinta a sábado as 21h e domingos as 19h. Reserve seu ingresso antecipado pelo e-mail: nc0@vigormortis.com.br
Veja um trailer do espetáculo e maiores informações em: http://www.vigormortis.com.br/

FICHA TÉCNICA:
Texto e Direção:
Paulo Biscaia Filho – Diretor assistente: Leandro Daniel Colombo – Elenco: Michelle Pucci, Rafaela Marques e Simone Martins – Coordenação de produção: Tânia Araujo – Sonoplastia e fotos: Marco Novack – Cenografia: Paulo Vinícius – Iluminação: Wagner Corrêa – Figurino: Karla Fragoso e André Azevedo – Maquiagem: Marcelino de Miranda – Adereços e FX: Thiago Di Giovanni – Confecção de peruca: Sergio Carminatti – Cenotécnicos: Sergio Richter, Anderson Quinsler, Fábio Dombrosk e Gentil Paris – Costureira: Rose Matias

segunda-feira, 27 de julho de 2009

GOL A GOL: Equipe do longa metragem filmado em Curitiba lança blog para divulgar o processo de filmagens


Estamos nos últimos dias de filmagens do longa metragem Gol a Gol, uma produção da Processo Filmes em parceria com a Evolução Filmes. O longa tem roteiro de Adriano Esturilho e é inspirado no livro [Cancha 2] - Cantigas para perverter juvenis. A direção é também do Esturilho em parceria com Fábio Allon. As filmagens terminam no próximo dia 30 de julho e o filme só será finalizado no primeiro semestre de 2010.
Sou o responsável pelo figurino do filme e conto com a preciosa assistência de Andrea Tristão.
Para divulgar o todo o processo de filmagens a equipe de produção e direção criou um blog fotográfico onde, além das imagens captadas pela lente do still de Rosano Mauro, integrantes da equipe também relatam experiências, acontecimentos e alguns depoimentos sobre a produção. Vale a pena fazer uma visita ao blog e conferir principalmente as belas imagens que são postadas diariamente. O endereço do blog é: http://golagolfilme.blogspot.com/




SOBRE A TRAMA
Num futuro imaginário, PEDRO vive solitário e estafado com seu trabalho na SEGURADORA SOL[AR]IS – que vende apólices por danos ambientais. Em saltos para um passado nostálgico e para um futuro pouco promissor do ponto de vista sócio-ambiental, onde fatos históricos se misturam a fantasias, o personagem revisita memórias e desejos reprimidos de sua infância e juventude, num clima onírico marcado por simbolismos. Num tom de fábula, PEDRO acerta as contas com o passado numa partida de GOL A GOL contra si mesmo ainda criança. Atormentado, mata a VELHA TIA que vendia doces na escola e que, para sua desgraça, também é avó de CINDY - seu amor de infância - com quem não teve coragem de seguir.





FICHA TÉCNICA:

Produtora: PROCESSO FILMES e EVOLUÇÃO FILMES – Produtora associada: GRAFO AUDIVISUAL – Direção: Adriano Esturilho e Fábio Allon – Assistência de direção: Bruno de Oliveira e Diego Florentino – Produção executiva: Diego Stavitzki e Aly Mutitiba – Direção de produção: Antonio Junior e Marisa Merlo – Coordenação de produção: Andrew Knoll – Direção de arte: Guilherme Santana – Assistência de arte: Felipe Potenza e Juliana Yumi Moriya - Cenotécnico: Tio Abel – Figurinista: Paulo Vinícius – Assistência de figurino: Andrea Tristão – Maquagem e cabelos: Marcelino de Miranda – Direção de fotografia: Xanxe – Asistência de fotografia: Eli Dalsin e Andre Santana – Eletrecista: Pirola – Maquinista: Coqueiro – Assistência de elétrica: Maikon – Motorista: Rafaela – Still: Rosano Mauro – Storyboard: Mauricio Marques – Making Of: Evandro Scorsin – Técnico de son: Vadeco – Montagem: Henrique Faria – Designer: Pablito Kucarz – Elenco: Giuly Biancato, Luciana Dal Ri, Tiago Luz, Pedro Albigo, Mauro Znatta, Leandro Daniel Colombo, Thereza Postui, Andrew Knoll, Juliana Biancato, Luiz Bertazzo, entre outros.


domingo, 5 de julho de 2009

TEATRO UNIVERSITÁRIO: Espetáculo anual da FAP torna-se evento obrigatório na agenda do público curitibano.


Todo ano, no final do primeiro semestre, a FAP – Faculdade de Artes do Paraná – apresenta ao público uma montagem teatral com os alunos do quarto ano do Bacharelado em Artes Cênicas. É parte da conclusão da disciplina de interpretação, onde os alunos acompanham todo o processo de construção do espetáculo, dirigidos pelo professor de interpretação. Pelo segundo ano consecutivo o professor responsável é o ator e diretor teatral Marcio Mattana. No ano passado Marcio montou com os alunos Recreio Pingue- Pongue, um espetáculo sobre a obra de Oswald de Andrade.
Por um lado, isoladamente do histórico de montagens da Faculdade, Elizaveta Bam vale a pena porque é uma aventura teatral de qualidade, onde a platéia insere-se e acomoda-se livremente por todo o espaço cênico ocupado pelo espetáculo. De outro lado, analisando os trabalhos dos anos anteriores na Faculdade, descobrimos que a montagem do quarto ano, dirigida pelo professor de interpretação, tem se tornado um evento obrigatório para o público realmente interessado por teatro em Curitiba. Quem ainda não viu está perdendo muito.

ELIZAVETA BAM
Principal obra dramática de Daniil Charms e do Grupo Oberiu, foi escrita em 1927. Tida hoje como precursora do teatro do absurdo e da obra de Eugene Ionesco, a peça gira em torno de uma mulher, Elizaveta, acusada de ter assassinado o homem que está vindo prendê-la. Para tanto, lança mão de uma estrutura inusitada: cada uma das dezenove cenas se desenvolve em um gênero dramático distinto. Daniil Charms (Daniil Ivanovich Yuvachov), poeta, contista e dramaturgo russo, foi o nome central do Grupo Oberiu, movimento de vanguarda artística da antiga União soviética. Perseguido ferozmente pelo regime stalinista, morreu de fome em uma prisão, em 1942. Sua obra foi salva do regime por amigos e veio a ser conhecida apenas nos anos sessenta.

O ESPETÁCULO
Reunir um elenco de 22 alunos/atores com desejos e repertórios diferentes, inseri-los no processo de criação e administrar a produção artística deste espetáculo, não é uma missão muito simples. Marcio Mattana faz isso melhor do que ninguém. Muito sensível e criativo, o diretor paranaense não mede esforços quando está à frente de um processo tão dispendioso quanto este.
A encenação, muito diferente da apresenta no ano anterior, ocupa todos os lugares do teatro/barracão Cleon Jaques em Curitiba. Tudo vira espaço cênico ou moldura para as cenas. Os atores interpretam, cantam e dançam durante a sequência de cenas surpreendendo a platéia de até 60 pessoas que, ao mesmo tempo em que caminham livremente pelo espaço, tentam descobrir qual o melhor ângulo para se posicionarem diante das cenas.
Para alguém como eu, que já acompanhou um processo de criação e montagem do professor Marcio Mattana, sabe que competência, criatividade e comprometimento com a educação são ingredientes básicos na receita infalível do diretor. Antes de escolher o projeto, ele sempre dedica-se ao conhecimento da turma que irá trabalhar. Márcio, ao lado de outros grandes nomes do elenco de professores da FAP, é um dos principais responsáveis pelo crescimento qualitativo do teatro universitário curitibano e da produção Fapiana.
Parabéns a Faculdade de Artes do Paraná. Parabéns ao querido Marcio e a todos os alunos envolvidos em Elizaveta Bam.
Para quem ainda não viu, o espetáculo terá mais duas apresentações nos dias 08/07 (quarta) e 09/07 (quinta) no teatro Cleon Jaques – Parque São Lourenço em Curitiba. As sessões são sempre as 21:00h. Entrada franca para a lotação máxima de 60 pessoas.