terça-feira, 16 de março de 2010

FESTIVAL DE CURITIBA 2010


Começa hoje o 19º. Festival de Curitiba que trará até o dia 28 de Março mais de 300 espetáculos para a cidade. Na Mostra oficial 2010 serão apresentados 26 espetáculos, 07 são estréias nacionais e 01 internacional. Na mostra Fringe, companhias e grupos de todo o país se apresentarão em vários teatros da cidade.
Na edição do ano passado tive a oportunidade de postar aqui no blog indicações dos artistas curitibanos. Neste ano, em função do tempo corrido e dos trabalhos que estou envolvido, não tive a mesma disponibilidade de tempo para organizar as postagens e realizar os convites. Porém, na medida do possível, escreverei sobre os espetáculos que me estimularem para isto.
Por enquanto, indico os espetáculos que integro a equipe e que se apresentarão no festival.
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CHICLETE & SOM
(CHICLETE & SOM - foto de Emannuel Pixer)
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O espetáculo dirigido por Nina Rosa Sá, volta nesta nova temporada no mesmo teatro em que estreamos, no TUC, dentro da mostra de Pequenos Conteúdos. Eu, Rúbia Romani, Uyara Torrente e Pablito Kucarz, o elenco do espetáculo, estaremos renovando toda a energia que investimos na temporada de estréia em Novembro de 2009. Para quem ainda não viu, vale a pena, esta talvez seja a nossa última temporada em Curitiba.
O TUC fica na galeria Julio Moreira s/n no Largo da Ordem.
DIAS:
20/03 AS 12h
21/03 AS 20h
22/03 AS 14h
23/03 AS 23h
24/03 AS 14h
27/03 AS 2Oh
Informações pelo telefone (41) 8405-7095
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NERVO CRANIANO ZERO

(NERVO CRANIANO ZERO - foto de Denis Lelo)
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O espetáculo dirigido por Paulo Biscaia Filho com a Cia Vigor Mortis, volta no Festival com Leandro Daniel Colombo no papel do doutor Bartolomeu Bava. Na primeira temporada a personagem era uma doutora, Barbara Bava, interpretada pela atriz Simone Martins. O elenco traz ainda Michelle Pucci e Rafaella Marques que originalmente integravam o espetáculo. É uma ótima produção, minha primeira parceria como cenógrafo da Vigor Mortis.
NERVO CRANIANO ZERO será apresentado no Teatro da Caixa Cultural, rua Conselheiro Laurindo 280, no Centro de Curitiba.
DIAS:
17/03 AS 18h E 21h
18/03 AS 18h E 21h
Maiores informações: http://www.vigormortis.com.br/
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MANSON SUPERSTAR

(MANSON SUPERSTAR - foto de Chico Nogueira)
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O musical documentário dirigido por Paulo Biscaia Filho, também com a Cia Vigor Mortis, volta no TEUNI com o mesmo elenco da estréia em Novembro de 2009. O ator Andrew Knoll ganhou o Prêmio Gralha Azul de melhor ator em 2009. Ainda no elenco estão Rafaella Marques, Leandro Daniel Colombo, Michelle Pucci, Ana Clara Fischer, Marco Novack, Carolina Fauquemont e Wagner Correa. Eu assino o cenário e o figurino do espetáculo.
DIAS:
22/03 AS 17h
24/03 AS 23h
25/03 AS 14h
26/03 AS 23h
27/03 AS 17h
O TEUNI fica no prédio histórico da Federal, Praça Santos Andrade, no Centro de Curitiba.
Maiores informações: www.vigormortis.com.br
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Ótimo Festival para todos. A gente se encontra por aí.


segunda-feira, 15 de março de 2010

FIGURINO E CENA EM CAMPO GRANDE / MS


Dando continuação ao projeto de Oficinas de Criação Teatral, estive na última semana em Campo Grande / MS ministrando a oficina Figurino Cênico. O objetivo central da oficina foi apresentar os diversos processos de construção do figurino na cena contemporânea. O conteúdo prático visou o desenho de croquis, o figurino em espuma e a customização.
A oficina foi promovida pelo projeto INTERAÇÃO, realizado pela Fundação de Cultura de MS. O objetivo do projeto, que se estende até o final do semestre, é investir na capacitação dos artistas locais para que os conteúdos possam ser transmitidos e multiplicados por todo o Estado. A turma de alunos foi formada por 32 alunos, artistas das diversas áreas das artes cênicas, artes visuais e da dança. Os artistas, que foram previamente selecionados por afinidades de currículo, surpreenderam todas as expectativas com relação ao conteúdo ministrado na oficina de figurino.
Para mim foi um grande prazer estar durante os cinco dias em contato com uma turma tão bacana e dedicada. Sempre fico muito feliz em poder transmitir os conhecimentos adquiridos na duração de minha carreira e poder contribuir nesta área ainda tão carente de publicações e informações técnicas que é o figurino cênico.
Agradeço também a equipe de coordenadores da Fundação de Cultura por todo profissionalismo, carinho e dedicação ao me receber tão bem nesta primeira ida a cidade de Campo Grande. Entre todos profissionais envolvidos, agradeço especialmente o carinho, a atenção e a companhia de Lidiane Lima, Bia Marques, Márcio Veiga, Pietro Falcão e Renderson Valentim.
Bacana foi também saber que a produção cultural está em profundo crescimento no MS. Alguns projetos culturais do Estado, como os Pontos de Cultura, são iniciativas importantes para o desenvolvimento cultural e artístico do Estado.
Até o final do primeiro semestre de 2010, artistas e profissionais de diferentes áreas do teatro, da dança, do circo, da música e das artes visuais estarão contribuindo pra a realização do projeto INTERAÇÃO.
Vida longa e multiplicação ao INTERAÇÃO e muita sucesso aos artistas de Campo Grande e de todo Estado do MS.
Obrigado pela parceria.
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Maiores informações sobre as oficinas do Figurino e Cena visite: http://oficinasdecriacaoteatral.blogspot.com/

domingo, 28 de fevereiro de 2010

UM HOMEM SEM MEMÓRIA

(O ator Luiz Bertazzo durante a performance que tem por objetivo coletar as memórias alheias)


O HOMEM PIANO – UMA INSTALAÇÃO PARA A MEMÓRIA é o novo trabalho da Ciasenhas de teatro. Premiado com o Miriam Muniz da FUNARTE, o espetáculo está em fase de produção.
Já começaram as performances onde o ator Luiz Bertazzo, sustentado pelo equipamento desenvolvido por Ary Giordani, coleta as memórias, doadas anonimamente pelas pessoas, nas ações realizadas em praças e outros espaços públicos da cidade.
O espaço das performances foi criado coletivamente pela diretora Sueli Araujo, por mim (que assinarei o cenário do espetáculo) e pela figurinista e pesquisadora Amábilis de Jesus (responsável pelo figurino e consultoria de espaço).
HOMEM PIANO se desenvolve a partir do conceito de Instalação, proveniente das artes visuais. É a continuação do trabalho iniciado no projeto Narrativas Urbanas de 2008 e quem explica melhor a trajetória desenvolvida até aqui é o próprio ator Luiz Bertazzo: “Em 2008 a Cia senhas de Teatro estava realizando o projeto Narrativas Urbanas - interferências e contaminações. Provocados a encontrar um fato espetacularizado pela mídia, os atores foram atrás de suas notícias, eu então me deparei com este Homem encharcado, sem nenhuma identificação, sem nenhum documento, sem nenhuma memória, mas que se revelou um exímio pianista, assim se resume a história do "Homem Piano"(como foi apelidado pela mídia). Dentro desta narrativa minha busca incessante pelos silêncios deste homem sem memórias, me fez em 2009 correr para a sede da Cia. afim de me apresentar em um pequeno monólogo para a XVI Mostra de Teatro da FAP (Faculdade de Artes do Paraná)”.
Nesta nova fase do trabalho, como justificaria o próprio conceito de instalação, o público será um fator determinante para o desenrolar dos acontecimentos. As apresentações acontecerão na própria sede da Ciasenhas que será totalmente preparada e ambientada para o evento. A data prevista para a estréia é o final do mês de abril.
É com muito orgulho que integro a equipe de criação e posso concretizar o antigo desejo de trabalhar com o Bertazzo, meu amigo querido e talentoso, com a amiga Amábilis, minha sempre professora, e com toda a competente equipe da Ciasenhas de teatro que sempre admirei muito e que já falei algumas vezes aqui no blog. Além dos artistas já citados, compões ainda a equipe Márcia Moraes e Fábia Regina.
Para quem quiser acompanhar o desenvolvimento do HOMEM PIANO, é só ficar conectado no blog HTTP://homempiano.blogspot.com/ . Além das informações sobre o projeto, o blog publica os depoimentos do ator sobre a experiência de coletar as memórias alheias.
Por enquanto, a gente poderá se encontrar em qualquer espaço público da cidade e a qualquer hora do dia.
Até lá.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

PESSOA, PREGO E PELÚCIA

(foto de Leco de Souza)

Muitas vezes me pergunto aonde o teatro quer chegar. Geralmente isso acontece quando saio de um teatro com a sensação de que o espetáculo ainda não terminou dentro de mim. O movimento interno, provocado por questões ou emoções causadas por aquilo que vi em cena pode ir do estranhamento ao riso, da dúvida ao descobrimento e da angústia à satisfação. O RAPAZ E A RAPARIGA – PEÇA DE PESSOA, PREGO E PELÚCIA foi um destes espetáculos que me colocou neste lugar de reflexão.
Vi o espetáculo no último dia da primeira semana da temporada que acontece até o dia 14 de março no teatro Novelas Curitibanas, sempre as 20h. A produção é uma realização da Couve-flor Microcumunidade Artística Mundial com financiamento da Fundação Cultural de Curitiba. O processo criativo e colaborativo se deu entre os artistas Cândida Monte, Elizabete Finger, Gustavo Bittencourt, Neto Machado, Ricardo Marinelli e Well Gutti.
A inspiração para o trabalho veio da obra do cineasta e autor Tim Burton. O ponto de partida para o início da criação foi o livro A morte melancólica do rapaz ostra e outras histórias. Vemos em cena quatro discursos diferentes, quatro personagens que se entrecortam e que são apresentados a partir de uma estética desenvolvida sobre referências góticas, surreais e bem humoradas. São quatro argumentos metafísicos, quatro universos fantásticos, construídos a partir da contaminação que as idéias de Tim Burton influenciaram no processo criativo dos artistas.
Tudo parece ter sido desenvolvido a partir da linguagem da performance que o grupo se apropriou de forma muito eficaz e, apesar de ter sido uma linguagem surgida ainda nos anos 60, o espetáculo traz um frescor de algo inusitado.
Como falar mais sobre O RAPAZ E A RAPARIGA sem estragar a sensação de descoberta para quem ainda verá o espetáculo? Não saberia responder. Apenas acho que esta é uma aventura que toda pessoa interessada em teatro deveria experimentar e descobrir por si própria os códigos que a levarão à uma interpretação pessoal das cenas apresentadas na mais recente empreitada do Couve-flor.
Vale a pena ir. Eu fui e gostei muito. Se você for, deixe a expectativa e os preconceitos em casa. Permita-se a experimentar e, se estiver conectado com a arte contemporânea, tenho certeza de que vai ter uma boa experiência.
Boa viagem!
(foto de Leco de Souza)

FICHA TÉCNICA:
Uma criação de e com: Cândida Monte, Elisabete Finger, Gustavo Bitencourt, Neto Machado, Ricardo Marinelli e Well Guiti - Apoio à pesquisa dramatúrgica: Jorge Alencar - Consultoria de materiais de cena: Amábilis de Jesus - Designer de luz: Fábia Guimarães - Conceito visual e material gráfico: Atelier Utrabo Monteiro - Produção: SELO - Produção e Gestão Cultural - Projeto: Couve-flor Minicomunidade Artística Mundial, associado à Aspart - Incentivo: Lei Municipal de Incentivo à Cultura, Fundação Cultural de Curitiba, Prefeitura Municipal de Curitiba

IMPORTANTE: O ingresso no Novelas Curitibanas não é mais uma lata de leite em pó como estamos acostumados. Agora a inteira custa R$10,00 e a meia entrada R$5,00, super acessível. O horário também mudou, agora todas as sessões, de quinta a domingo, acontecem sempre as 20h.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

UM HOMEM CÃO


A Caixa Cultural apresenta nos próximos dias 19, 20 e 21 de Fevereiro o espetáculo THE CACHORRO MANCO SHOW, solo do grande e querido ator Leandro Daniel Colombo. Velho conhecido do público curitibano, principalmente pelo trabalho desenvolvido com a companhia Vigor Mortis, Leandro Daniel é uma das duas melhores coisas do espetáculo. A outra é o texto de Fábio Mendes.
Vi o espetáculo em Novembro de 2008 quando esteve em cartaz no teatro Barracão em Cena de Curitiba. Aquela temporada aconteceu logo depois da estréia no Teatro Municipal Maria Clara Machado no Rio de Janeiro. Depois disso, o espetáculo ainda fez turnês em Brasília, novamente no Rio, em Lisboa e São Paulo.
O espetáculo já traz no currículo alguns prêmios, indicações e ótimas críticas. Leandro foi indicado ao Gralha Azul de Curitiba como melhor ator em 2008 e ao 3º. Prêmio da revista Quem como melhor ator em 2009 ao lado de grandes nomes do teatro nacional como Antônio Fagundes, por exemplo. Fábio Mendes ganhou o Prêmio Luso-Brasileiro de Dramaturgia Antonio José da Silva e o Prêmio APCA de melhor autor em 2009.
Quem ainda não viu não pode perder esta próxima oportunidade ofertada pela Caixa Cultural. Depois disto, THE CACHORRO MANCO SHOW ainda poderá ser visto em pouquíssimas e disputadíssimas apresentações em Março no Festival de Curitiba.
Fica a dica. Vá ver e depois me conte. Se já viu, veja de novo. Acredito que um bom espetáculo, assim como um bom vinho, quanto mais envelhece melhor fica.

(foto de Guga Melgar)

SOBRE O ESPETÁCULO
"O roubar pouco é culpa, o roubar muito é grandeza;
o roubar com pouco faz os piratas,
o roubar com muito, os Alexandres".
(Fábio Mendes)

Um mendigo. Uma metáfora dos excluídos. O homem-cão oferece sua narração em troca de um pouco de ração na procura de um dono. Uma comédia dramática, o stand-up de um cachorro que faz seu show pelas margens da sociedade.
O espetáculo traz pouquíssimos recursos cênicos, faz valer a relação texto x interpretação. Ótima opção pra quem procura na dramaturgia a possibilidade de ver uma grande atuação.
Na ficha técnica, além do autor Fábio Mendes e do ator Leandro Daniel, o espetáculo conta com a direção de Moacir Chaves, cenário de Fernando Mello da Costa e Rostand Albuquerque, figurino de Inês Salgado, iluminação de Aurélio de Simoni, direção musical de Tato Taborda, programação visual de Maurício Grecco, fotos de Guga Melgar, assistência de direção de Diego Molina e direção de produção de Paulo Felisbino.
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SERVIÇO: THE CACHORRO MANCO SHOW - com Leandro Daniel Colombo – Dias 19, 20 e 21 de Fevereiro no Teatro da Caixa Cultural em Curitiba. Sexta e sábado as 21h e domingo as 19h.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

CAFÉ COM GEORGE SADA

(George Sada - Foto de Bebel Ritzmann)

Passei seis meses esperando por este encontro. Fiz o convite ao George no início do segundo semestre de 2009. Não conseguimos coincidir um horário nas nossas agendas em todo este tempo. Finalmente no último sábado tive o prazer de receber George Sada para um café em casa. Com o alto astral de sempre, ele veio acompanhado do nosso querido amigo Humberto Gomes. Foram quatro horas de muito papo, muitas risadas, revelações e reafirmações. Nosso encontro tornou meu início de ano ainda mais prazeroso.
No quesito relações humanas, George conquistou unanimidade na simpatia de todos que se relacionam com ele. Não há quem não concorde que George é uma das raras criaturas no mundo que dominam o relacionamento interpessoal, que sempre soube tratar muito bem qualquer pessoa de quem dele se aproxima. Acredito que isto se deva principalmente ao fato de que ele sempre age impulsivamente movido pela paixão à vida e à arte com uma dose caprichada de generosidade ao próximo.
No campo profissional ele sempre teve muito pra mostrar e contar. É isso que pretende este texto que, carinhosamente, agora escrevo aqui no blog. Que ele receba minhas palavras como quem recebe uma homenagem. Que você leitor as receba como uma doce história que precisava ser ouvida. E que eu consiga escrevê-las com a mesma competência que ele caminha sobre os caminhos sinuosos desta vida que embala a todos nós.


(George recebendo o Troféu Gralha Azul por melhor direção em 2008 - foto divulgação)

UMA CARREIRA DE CONQUISTAS
Depois de cursar psicologia, período entre os anos de 1981 e 1985, George Sada, formou-se no curso de Artes Cênicas da antiga PUC/PR que mais tarde foi encampado pela Faculdade de Artes do Paraná, onde George se tornou coordenador do curso de artes cênicas, chefe do departamento de teatro e professor de interpretação em 1990. Sua atividade na FAP se estendeu até 1998.
Como ator ele traz no currículo mais de 40 espetáculos e, do início da carreira, lembra a importante influência transmitida por diretores como Lilian Fleury, Hugo Mengarelli, Edson Bueno e do colega de curso da época de faculdade, o Cleon Jaques. George fala também da importante marca que a diretora Mona Lazar, vinda do Rio de Janeiro, deixou na sua formação de ator, através do processo de montagem do espetáculo O EXERCÍCIO em 1999. Ainda não tive oportunidade de vê-lo em cena, porém na edição de 2010 do Festival de Curitiba, George estará no elenco da produção de XAROPE PARA ACABAR COM A TOSSE, espetáculo dirigido por Humberto Gomes que acontecerá nas dependências de uma farmácia no centro de Curitiba.
Como diretor já tive o prazer de assisti-lo algumas vezes, ele já assinou mais de 200 espetáculos somando as direções que desenvolveu na escola onde leciona e onde também é diretor, a Academia de Artes Cênicas Cena Hum.
No teatro, George também já atuou como figurinista, cenógrafo, maquiador e produtor. É um profissional competente, totalmente apaixonado pelo oficio, apaixonante e capaz de empolgar todos que estão ao seu lado. Sua carreira sempre foi motivada paixão, pelo sonho de ver o teatro como elemento multiplicador das idéias que brotavam dentro de si, como uma voz que sempre o impulsionava. Entre tantas habilidades e funções, ele ainda é professor de interpretação para os bailarinos da Escola de Dança do Teatro Guaíra e o responsável pelo desenvolvimento de roteiros para os espetáculos. Como funcionário do Teatro Guaíra, George trabalha desde 1990. Haja energia pra tanto. Assim como eu, ele também é uma pessoa viciada em trabalho, destas que bastam apenas 10 dias de férias para não mais agüentar a tranqüilidade e querer voltar correndo para o que realmente interessa.


(foto divulgação)

CENA HUM
A Academia de Artes Cênicas Cena Hum, escola fundada por George e dirigida por ele até hoje, ao lado do sócio Márcio Vegas, é o resultado de um investimento que dura mais de duas décadas, já que a escola começou a ser planejada mais de 06 anos antes de sua inauguração em 1995. Quem vê as atuais dependências da nova sede própria e o resultado das produções da escola não imagina que a escola iniciou as atividades com duas pequenas turmas, que somavam doze alunos e apenas dois professores. Hoje a escola emprega uma equipe de 30 profissionais, entre professores, funcionários administrativos e pedagógicos e inúmeras turmas de alunos somando mais de 250 matrículas. Tenho também o prazer de fazer parte da equipe de professores e poder exercer o delicioso ofício de lecionar interpretação para os alunos. É muito bom poder trabalhar dentro de um ambiente com astral tão leve e também conviver com uma equipe que sempre leva o trabalho tão à sério como na Cena Hum.
A nova sede, inaugurada no início do semestre passado, conta, entre outros espaços, com vários e amplos estúdios de aula, biblioteca, sala de áudio/visual, cantina, guarda roupa com mais de 5.000 peças e um teatro adaptável a diversos estilos de montagens.
Um bom exemplo para quem ainda duvida que não devíamos agir somente por princípios racionais é a própria história de como George fundou a escola. Ele conta que quando tomou definitivamente a decisão de abrir a escola, ainda não possuía nenhum capital investidor. Quando foi fechar o contrato de locação do prédio, tudo o que tinha no bolso era uma moeda de 25 centavos. A fixação pelo sonho de ver sua escola funcionando era tanta que nem mesmo a limitação financeira o impediu de vê-lo realizado.
Outra boa história que George nos conta emocionado, é o momento de escolher o nome da escola. Na véspera do dia em que a empresa seria aberta, ele ainda não tinha conseguido escolher um nome. A escolha veio durante a noite. No seu sonho, numa espécie de teste onde só ele estava sentado na platéia de um teatro e esperando para ser chamado, o homem que estava sentado sozinho no palco lhe disse, um segundo antes dele acordar: “venha para a cena um!”. Depois disso, a escolha de colocar o H no nome, veio principalmente pela vontade de dizer que o trabalho que estava disposto a desenvolver seria totalmente preocupado com o lado humano das relações.
Além dos cursos de oficina e de iniciação teatral, a escola oferece nesses 14 anos de atividades o curso de formação de atores com duração total de 3 anos. Vários atores que hoje estão no mercado nacional se formaram pela escola. Da primeira turma, George lembra, entre outros, os nomes de Laura Haddad e de Luis Brambilla. Para 2010 a escola também abrirá novas turmas diante da grande procura no final do semestre.
No final de cada ano a escola entrega o Troféu Cena Hum para os melhores do ano numa festa bastante badalada.
Sobre os projetos para 2010 e as novas produções do núcleo profissional da Cena Hum, George prepara algumas surpresas, entre elas um musical sobre Elis Regina, espetáculo que já está em pré-produção. Neste ano também, o espaço teatro da escola também será aberto para outras temporadas que não sejam apenas para as mostras de conclusão dos cursos da escola.
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Fico muito feliz em poder falar deste artista guerreiro que é o George, de poder estar ao lado de uma pessoa tão querida, que sempre soube valorizar o que deveria ser priorizado em qualquer relação profissional: a relação humana, solo fértil de onde sempre brota as melhores e mais prazerosas parcerias.
Salve George!
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Para quem ainda não conhece a Cena Hum, mas gostaria de fazer uma visita, o endereço é Rua Senador Xavier da Silva, 166, próximo ao Shopping Muller. Maiores informações pelo telefone (41) 3333-0975.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

BOA NOVA NO PEDAÇO: Alexandre França

(Alexandre França clicado por Albert Nane)

Todo mundo sempre soube que eu adoro falar bem dos artistas e trabalhos que eu me relaciono e admiro. Reconheço em mim a virtude de admirar artistas e trabalhos diferentes entre si, desde que sejam sempre de boa qualidade. Estilo nunca me aprisionou muito. Gosto de transitar, mas ao mesmo tempo de também permanecer. Isto sempre ocorre quando acredito realmente em algo. Distingo sempre entre aquilo que é bom daquilo que é ruim, nunca entre aquilo que é certo daquilo que é errado. Neste ano de 2010 continuarei valorizando o trabalho dos artistas que tem o que mostrar. Profissionais que admiro e que sempre estou por perto, mesmo que seja só para admirar. A lista é grande. Escolhi começar por Alexandre França.
É ótimo poder lembrar que vem surgindo em Curitiba uma nova geração de dramaturgos. Alexandre França, dramaturgo e músico, é uma boa lembrança de um representante desses autores. É ótimo também lembrar que esses novos dramaturgos vem diretamente ao encontro dos interesses dos novos encenadores de plantão. Um bom texto sempre é muito sonhado pelos profissionais do teatro.
Admiro muito o trabalho dos bons dramaturgos, com linguagens distintas, com estilos e estruturas interessantes. Dos dramaturgos já veteranos em Curitiba cito, entre outros tão talentosos, o nome de Sueli Araujo e Paulo Biscaia que sempre me fascinaram pelo trabalho autoral, cada um no seu estilo, mas ambos geniais no que acreditam. Uma boa dramaturgia sempre influiu muito na qualidade final do espetáculo.
Alexandre França é um autor que veio da música, já que esta foi a primeira atividade profissional que exerceu. Ele já teve dois CDs gravados e produzidos, A SOLIDÃO NÃO MATA, DÁ A IDÉIA em 2006 e MUSICA DE APARTAMENTO em 2009. Na área da música, França tem um trabalho bem bacana e sempre está muito bem acompanhado de excelentes músicos.
Tenho acompanhado seus textos desde o primeiro a ser encenado em 2007 com as atrizes Helena Portela e Verônica Rodrigues, UM IDIOTA DE PRESENTE, quando fui convidado para fazer o figurino e o cenário desse e do próximo espetáculo, FINAL DO MÊS com Claudete Pereira Jorge e Helena Portela no elenco e Verônica Rodrigues na produção. Depois disso, o França escreveu alguns textos, apresentados em leituras dramáticas ou apresentações que não pude estar presente e também outros textos que tive a oportunidade de ler. Cada um tem suas características e qualidades específicas. Vi também GINA, monólogo escrito para a triz Maia Piva. Seus textos estão cada vez melhores. Nos últimos que li, ainda não encenados, vi novos apontamentos na estrutura e no estilo, novidades que vieram para amadurecer muito e deixar suas tramas ainda mais sofisticadas.
Fique de olho.
Vida longa a Letra e a Música de Alexandre França.
Os artistas e o público curitibano agradecem.