terça-feira, 22 de janeiro de 2013

A ASSINATURA DO ARTISTA NO TEATRO CONTEMPORÂNEO

(Espetáculo OXIGÊNIO da Cia Brasileira de Teatro - Foto de Ale Haro)

A característica que mais me interessa no trabalho dos artistas de teatro na contemporaneidade é a autoria. Um trabalho é efetivamente interessante quando o artista imprime na obra aquilo que realmente é seu. Para o espectador, um trabalho é autoral quando conseguimos, principalmente, distingui-lo de tudo aquilo que já vimos em teatro. Quando isso acontece o prazer já está garantido, e mesmo quando ainda encontramos um trabalho em processo, que ainda não está maduro, o prazer de ver o universo específico de cada coletivo vale a experiência teatral.

Mais vale uma criação em desenvolvimento do que uma reprodução bem acabada. Enquanto espectador, comigo sempre foi assim. Não que eu não valorize o acabamento, muito pelo contrário, mas só a técnica bem aplicada não responde ao desejo do homem contemporâneo, tão acostumado com as tecnologias do dia a dia e já habituado a ver inúmeras novidades nas artes contemporâneas.

(Espetáculo CIRCO NEGRO da CiaSenhas de Teatro)
 
O teatro vai continuar sendo artesanal, diferentemente do cinema que é estruturalmente tecnológico, sem problemas. Talvez a principal característica de aproximação do teatro do público seja realmente o humano que existe na construção artística. Entenda aqui o termo humano como distanciamento do termo tecnológico. Porém, dentro das suas especificidades técnicas e artísticas, não nos contentamos mais com repetições de fórmulas antigas de representação. Nós, públicos e artistas, queremos mais.
 
            Distinguir um trabalho e diferenciá-lo de tudo o que já vimos, não implica na ausência de qualquer reconhecimento de referências presentes nele, não é isso que desejamos ver, principalmente numa época em que quase tudo já foi inventado. A autoria está na maneira como cada artista devolve ao mundo todas as referências que ele se apropriou e na forma como ele apresenta suas questões ou conclui suas indagações.

(Espetáculo LONGE - SOBRE AMOR, SOBRE DISTÂNCIAS do Grupo Obragem - Foto de Elenize Desgeniski)
 
            Enquanto artistas, precisamos propor um discurso que não seja necessariamente tão reconhecível aos olhos do público. É importante estimular o estreitamento da relação espectador X obra de arte. É importante permitir que o espectador experimente outras camadas, mais abertas ao entendimento, diferentes das fórmulas tão massificadas no teatro comercial.

            A autoria talvez tenha sido o elemento de maior peso, identificado no trabalho da Companhia Brasileira de Teatro, dirigida por Marcio Abreu, que hoje tem seus trabalhos apresentados em várias cidades do Brasil e outros lugares do mundo. Sem dúvida, o grande sucesso alcançado pela Cia Brasileira está na forma autoral e criativa com que os trabalhos sempre foram desenvolvidos.
 
(Espetáculo A MEIA NOITE LEVAREI TEU CADÁVER da Vigor Mortis - Foto de Marco Novack)
 
            Em Curitiba, desde 2004, ano que me radiquei na cidade, tenho acompanhado o trabalhos de vários artistas, grupos e companhias. Dentre eles, identifiquei em alguns o desenvolvimento de uma linguagem teatral autoral, ímpar e particular. É sobre essas companhias que agora, depois de 08 anos vivendo aqui, quero falar.

A tentativa será de propor um olhar analítico e sintético ao mesmo tempo. Para tanto, selecionei dentre todos os coletivos artísticos em atividade por aqui, 03 companhias maduras, que já percorreram mais de uma década de desenvolvimento e que hoje representam com muito estilo o melhor teatro produzido em Curitiba. Claro que, de certa forma, meu olhar é também de dentro para fora, uma vez que também atuei como colaborador nas 03 companhias selecionadas e que, portanto, também acompanhei boa parte do desenvolvimento dos seus respectivos discursos.

            As companhias escolhidas para esta análise foram: CiaSenhas de Teatro, dirigida por Sueli Araujo, Grupo Obragem, dirigido por Olga Nenevê e Vigor Mortis, dirigida por Paulo Biscaia Filho. Tenho certeza de que o trabalho produzido por estes três grupos, aliados ao trabalho produzido por outras companhias e diretores de peso e qualidade, estimulam o desenvolvimento do teatro local bem como a divulgação nacional do teatro paranaense e de seu reconhecimento.

           

 

CiaSenhas de Teatro

Dirigida por Sueli Araujo, a CiaSenhas completou 13 anos de trabalhos consecutivos em 2012. Um dos focos principais é o trabalho do ator-criador, bem como o desenvolvimento de uma dramaturgia original. O trabalho em grupo e a comunicação com diferentes plateias, também são praticas desenvolvidas nos trabalhos dentro da companhia. A pesquisa da CiaSenhas revelou uma forte preocupação com o desenvolvimento da narrativa cênica. O jogo teatral, a construção do corpo expressivo e os espaços de relação com a plateias foram elementos presentes trabalhos.

Os trabalhos mais recentes da companhia foram DELICADAS EMBALAGENS (2008), HOMEM PIANO – UMA INSTALAÇÃO PARA A MEMÓRIA (2010), CONCERTO PARA RAMEIRINHAS (2011) e CIRCO NEGRO (2012).

Além da produção de espetáculos, a CiaSenhas de Teatro dedica-se também ao intercâmbio teatral, promovendo ações de diálogos entre diferentes artistas do Paraná e de outros Estrados brasileiros. Também é uma realização da companhia a Mostra Cena Breve – A Linguagem dos Grupos de Teatro, que em 2012 chegou a sua oitava edição.

Os trabalhos que desenvolvi dentro da companhia foram os cenários para os espetáculos HOMEM PIANO, CONCERTO PARA RAMEIRINHAS e CIRCO NEGRO.

Maiores informações sobre a companhia podem ser obtidas através do site www.ciasenhas.art.br

           

           

Grupo Obragem

            Dirigido por Olga Nenevê, o Grupo Obragem completou 10 anos. As principais referências da companhia são as artes visuais e a dança contemporânea, além da Literatura e do Cinema. A autoria foi o elemento presente em todos os trabalhos que vi do Grupo Obragem, desde 2004.

            A dramaturgia textual própria é outro elemento de muita importância no trabalho do grupo. Também desenvolvido por Olga Nenevê, o texto é escrito de forma que a sua estrutura potencialize a emoção e se relacione com o ponto de partida dos trabalhos: o corpo e seus movimentos. 

            As imagens são pensadas como elementos de referência e composição para as cenas, tanto para o corpo dos atores quanto para a construção visual do espetáculo. Quem assina os figurinos e os cenários dos espetáculos é Eduardo Giacomini, ator, cenógrafo, figurinista e produtor no grupo.

            Os trabalhos recentes foram PASSOS (2008), O INVENTÁRIO DE NADA BENJAMIM (2009), ZAQUEU (2010), AS TRAMÓIAS DE JOSÉ NA CIDADE LABIRINTICA (2012) e LONGE – SOBRE O AMOR SOBRE, DISTÂNCIAS (2012).

            Além de espectador frequente dos trabalhos do grupo, em 2009 participei como ator do espetáculo infantil MMM – A MONTANHA DO MEIO DO MUNDO, um trabalho que, além de Curitiba, circulou pelos Estados de Santa Catarina e São Paulo.

            O Grupo Obragem, em 2012, inaugurou o seu próprio Espaço em Curitiba. Maiores informações sobre eles estão em www.grupoobragemdeteatro.com.br


 

 

Companhia Vigor Mortis

            Dirigida por Paulo Biscaia Filho, a Vigor Mortis tem, basicamente, o Grand Guignol (Teatro de horror de Paris) como foco principal. A companhia adota um gênero específico, utilizando a violência e o naturalismo como meios narrativos, explícitos na encenação de Paulo Biscaia. O trabalho da companhia é extremamente autoral, não apenas como dramaturgia textual, mas também, e principalmente, pela encenação do Paulo, que mistura o teatro com outras linguagens de identificação, como os quadrinhos, o cinema e as artes urbanas.
 
            Em 2012 a Companhia completou 15 anos de atividades. Entre os principais espetáculos estão MORGUE STORY – SANGUE, BAIACU E QUADRINHOS (2004), HITCHCOCK BLONDE (2008), NERVO CRANIANO ZERO (2009), MANSON SUPERSTAR (2009), SEANCE – AS ALGÊMAS DE HOUDINI (2011) e A MEIA NOITE LEVAREI TEU CADÁVER (2012).
 

            No cinema, os filmes produzidos pela Vigor Mortis foram o longa metragem MORGUE STORY – SANGUE, BAIACU E QUADRINHOS, uma trilogia de curtas baseados em contos de Edgar Allan Poe chamada NEVERMORE - TRÊS PESADELOS E UM DELÍRIO e o longa metragem NERVO CRANIANO ZERO.
 

            Além do teatro e cinema, a companhia também publica livros como os quadrinhos VIGOR MORTIS COMICS e a coletânea de textos dramatúrgicos PALCOS DE SANGUE, escritos por Paulo Biscaia Filho.
 

            Na Vigor Mortis, criei o cenário do espetáculo NERVO CRANIANO ZERO, cenário e figurino para MANSON SUPERSTAR, cenário e figurino para SEANCE e para A MEIA NOITE LEVAREI TEU CADÁVER. Também atuei como diretor de arte no longa metragem NERVO CRANIANO ZERO.
 

            Maiores informações sobre a Vigor Mortis estão em www.vigormortis.com.br  

domingo, 20 de janeiro de 2013

Especialização em cenografia na Universidade Tecnológica Federal do Paraná


 
          Estão abertas as inscrições para a segunda turma do curso de Especialização em Cenografia da UTFPR. O objetivo principal é oferecer um curso especializado para a formação e o aprimoramento profissional voltados à criação cenográfica, abordando questões de linguagem teatral, arquitetura, design e artes visuais, permeados por reflexões que fundamentem os processos criativos e artísticos. O curso visa também ao desenvolvimento de artigos científicos em temas relacionados à cenografia e ao espaço teatral.
           O curso oferece 33 vagas e terá carga horária total de 470 horas/aula. As inscrições ficam abertas até o dia 31/03/2013. Aos alunos formandos serão concedidos o Título de Especialista em Cenografia. Alguns temas abordados nas disciplinas são:
-  Características da arquitetura cênica. Espaços abertos, fechados, a rua. Modificações do espaço teatral no século XX. Espaço cênico e lugar teatral. Dimensões estruturais do espaço no teatro. Tipologias espaciais. Introdução à história do teatro.
- Contextos culturais e a constituição dos lugares teatrais. Organizações sociais e econômicas como determinadoras do teatro. Relações entre ética e estética na escolha do espaço teatral.
- O teatro no final do século XIX e o movimento de modernização da cena ocidental. Direção x encenação. As vanguardas teatrais. Tendências do teatro contemporâneo.
- Principais manifestações artísticas e suas relações com o espaço, da Pré-história ao contexto contemporâneo. Pintura e representação do espaço. Escultura e espaço de apresentação. Happening, Performance, Instalação: Espaço e Tempo. Novas mídias e o espaço virtual.
- Da “Arte Total” às dissoluções das fronteiras artísticas. Questões para a formação do artista na atualidade.
- Simbologia e imaginário da arquitetura e da urbanidade. Dramaturgia do espaço. Teatro ambiental.
- Composição, conceitos e aplicações em cenografia. Uso dos elementos estruturais: Ponto, Linha, Forma e Volume. Elementos intelectuais da composição: Equilíbrio, Proporção, Harmonia, Ritmo, Movimento, Unidade, Repetição Simples e Complexa, Fusão, Composição e Percepção Bi/Tridimensional e a Percepção do Movimento.

- Plantas. Maquetes. Projetos. Registros. Processos de criação em cenografia.

- Estudo de materiais aplicados à cenografia. Materiais estruturais. Materiais de revestimento. Pintura. Modelagem. Processos de criação e confecção.

- Análise dramatúrgica. O texto teatral e a cenografia. Princípios de direção cênica. Direção e cenografia. Interrelação dos elementos cênicos. Processos de criação. Análise dos elementos visuais da encenação.
- O corpo no espaço. Percepção sensível do ambiente. Níveis do corpo e do espaço. O espaço dinâmico. O centro e a periferia. Dinâmica espacial das paixões.  
- Características do texto dramático. Gêneros literários. Gêneros teatrais. Teatro e poesia. O texto teatral na história do teatro. A dramaturgia no teatro grego clássico, no Renascimento, no Romantismo, no Naturalismo. O distanciamento brechtiano. O pós-dramático.
- Cenografia teatral e cenografia aplicada ao design de exposições. Conceituação, caracterização e histórico das exposições. Projetos em design de exposições.
            O corpo docente é formado, entre outros, por Prof. Dr. Ismael Scheffler, Prof. Dr. Walter Lima Torres Neto, Prof. Dr. José da Silva Dias,  Prof. Dr. Antônio Araújo e a Prof(a). Dra. Amábilis de Jesus da Silva.
            O link para acessar o Edital e obter maiores informações é: http://pos.funtefpr.org.br/inscricoes/editais/Edital-712.pdf

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

2012


2012 foi um anos de muitas descobertas e surpresas. Foi realmente um ano de muito trabalho. Os bons e velhos parceiros de sempre permaneceram e muita gente nova pintou no pedaço. Fiz cenários e figurinos para vários espetáculos, de algumas companhias e diretores que já são parceiros e de outros que ainda não tinha trabalhado. Existiram surpresas e decepções, mas 2012 foi um ano lindo!

A Figurino e Cena também desenvolveu projetos lindos, em parcerias com diferentes coletivos criativos, artistas convidados, que se dedicaram além do esperado para cumprirem suas missões. Fica aqui meu eterno agradecimento aos queridos e talentosos Amabilis de Jesus, Marco Novack, Carolina Fauquemont, Fernando de Proença, Pablito Kucarz, Paulo Biscaia Filho, Andrea Tristão, Marcelo Bourscheid, Lilyan de Souza, Wagner Corrêa, Chico Santarosa, Marcelo Bérgamo, Victor Sabbag, Lidia Ueta, Alan Raffo, Junior Pereira, Luiz Sadaiti, Airen Wormhoudt. Michelle Rodrigues, Lucan Vieira, Johnny Leal, Juliana Lang e Luiz Lopes.

No ano que vem muita coisa está para acontecer, 2013 promete muitos outros encontros e trabalhos deliciosos. Eu e a Figurino e Cena estaremos conectados com alguns dos artistas mais bacanas da atualidade. É só aguardar e torcer.

Um ótimo final de ano para todos vocês, leitores, amigos, parceiros e artistas. Ótimas férias e um maravilhoso ano novo. Que 2013 supere todas as nossas expectativas. Muito obrigado. Um beijo grande e um abraço apertado.

Paulo Vinícius.

domingo, 4 de novembro de 2012

FIGURINO E CENA NO ESPÍRITO SANTO

 
Paulo Vinícius, diretor artístico da Figurino e Cena, ministrará duas oficinas de capacitação técnica entre os dias 19 e 23 de Novembro no Centro Cultural José Ribeiro Tristão no Município de Afonso Cláudio / ES. As oficinas são providas pela SECULT – Secretaria de cultura do Espírito Santo e realizadas em parceria com a FUNARTE – Fundação Nacional das Artes.
Esta será a segunda vez que a Figurino e Cena vai ao Espírito Santo com suas oficinas. A primeira foi no ano passado, em Vitória, quando Paulo Vinícius ministrou a oficina de Cenografia dentro do projeto Oficinas Integradas, dividindo espaço com Nadia Luciani (iluminadora) e Vadeco Schettini (Produtor musical e sonoplasta).
Neste ano de 2012, no período da tarde acontece a oficina de Cenotécnia, das 13h às 17h e, no período da noite, das 18h às 22h acontece a oficina de Figurino Cênico, totalizando 40 horas/aula - 20 horas/aula para cada oficina. Os interessados poderão escolher uma das duas oficinas ou optar pela inscrição nas duas oficinas e cursar os dois períodos.
Entre os principais temas abordados na oficina de Cenotécnica estão as principais ferramentas de criação, execução e comunicação de um cenógrafo e de um cenotécnico no cenário atual. E os principais temas abordados na oficina de Figurino cênico estão a relação do figurino com os diversos signos teatrais (Dramaturgia, Interpretação, Iluminação, Cenografia, etc.) e a evolução do figurino  no teatro, na dança, televisão e no cinema.
Maiores informações sobre as oficinas estão em: http://oficinasdecriacaoteatral.blogspot.com/


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Figurino e Cena na 8ª. Mostra Cena Breve Curitiba


DEPOIS, cena da Figurino e Cena, foi selecionada para a 8ª. Mostra Cena Breve Curitiba, que acontecerá entre os dias 17 e 28 de Outubro de 2012 no Sesc da Esquina.



MOSTRA CENA BREVE
(A partir do site da CiaSenhas)
 A abertura no dia 17/10 será com o espetáculo convidado O Fantástico Circo Teatro de um Homem Só! da companhia Rústica de Porto Alegre que também vai conduzir a oficina Desvios Urbanos com intervenção pelas ruas de Curitiba. No espaço externo do SESC da Esquina o público poderá acompanhar o Cortejo CYRK do Trio Quintina.
As apresentações das cenas começam dia 18 e vão até o dia 21 de outubro. Serão 16 grupos de teatro do PR, SP, BA, PA, RJ, DF e MG mostrando seus trabalhos em cenas de 15 minutos. É uma ótima oportunidade de ver de perto a diversidade das artes cênicas no país. Pelas manhãs, ocorre o Papo Aberto – mais um espaço em que público e artistas têm a oportunidade de conversar e refletir sobre as cenas do dia anterior. Eles são gratuitos e acontecem na sede da CiaSenhas de Teatro com os convidados Henrique Saidel (PR), Luciana Barone (PR) e Lucienne Guedes (SP).
Tem também o Blog da Mostra, que neste ano será aquecido pela jornalista Luciana Romagnoli (BH). Ela irá acompanhar as apresentações e registrar comentários e reflexões http://mostracenabreve.blogspot.com.
A partir de 25 de outubro a 8ª Mostra pega a estrada com a Circulação das 04 cenas mais votadas, pelas cidades da Lapa, Campo Largo, Antonina e Morretes. Nestas cidades também irão acontecer oficinas de formação de platéia. A 8ª Mostra Cena Breve celebra o encontro entre artistas e público, a criatividade, o risco, a experimentação, o envolvimento e as muitas parcerias que a cada ano se fortalecem.



(Foto de Lídia Ueta)

DEPOIS

 A cena traz um homem e uma mulher. Um mundo em ruínas. Uma história da solidão contada por uma narrativa enviesada. Uma investigação da palavra para além do seu significado factual. Uma experimentação sonora, física e visual a partir de uma verdade inventada.
Trata-se de um compacto, de 15 minutos, do espetáculo homônimo que será encenado pela mesma equipe e que tem a estreia prevista para o final de 2013 ou início de 2014 em Curitiba / PR.
A Figurino e Cena, desde 2009, busca formar diferentes coletivos criativos, específicos para cada trabalho, estabelecendo um dialogo criativo entre os artistas convidados e as proposições do diretor artístico Paulo Vinícius, também autor deste blog. Entre os principais trabalhos já realizados estão a exposição virtual SAPATARIA ROCOCÓ e o espetáculo infantil DE VOLTA AO COMEÇO.
DEPOIS segue o mesmo processo de criação. Os artistas que compõem a ficha técnica foram especialmente convidados para executar o trabalho, principalmente pelas afinidades relativas com a pesquisa de criação teatral desenvolvidas neste momento. Todos eles são cocriadores da cena, cada um especificamente na sua área, estimulados pelas proposições recebidas.
A apresentação da cena acontecerá no dia 19 de Outubro às 20h. Todos estão super convidados, vale a pena conferir, apareçam!
A programação completa da mostra e todas as demais informações estão no site da CiaSenhas de Teatro, no endereço http://www.ciasenhas.art.br/

 DEPOIS - Ficha técnica
Texto MARCELO BOURSCHEID

Direção PAULO VINÍCIUS
Direção de elenco LILYAN DE SOUZA
Direção de movimento / Preparação corporal  FERNANDO DE PROENÇA
Elenco AIREN WORMHOUDT e PAULO VINÍCIUS
Vídeo projeções PAULO BISCAIA FILHO
Figurino  AMABILIS DE JESUS
Cenário PAULO VINÍCIUS
Composição musical / Paisagem sonora LUIZ SADAITI
Técnico de som e operação de audio visual CHICO SANTAROSA
Iluminação VICTOR SABBAG e WAGNER CORRÊA
Operação de luz VICTOR SABBAG
Maquiagem ANDREA TRISTÃO
Fotografia LIDIA UETA
Produção FIGURINO E CENA PRODUÇÕES ARTÍSTICAS
Produtora associada INOMINÁVEL COMPANHIA DE TEATRO

domingo, 30 de setembro de 2012

SETEMBRO



Setembro foi realmente uma loucura. A cada semana estreou um novo trabalho feito por mim. Foi corrido, mas consegui sobreviver, que bom!
 
CIRCO NEGRO - Foto de Rosano Mauro Jr.
Na primeira semana, dia 06/09 foi o cenário para o espetáculo CIRCO NEGRO da CiaSenhas de teatro, dirigido por Sueli Araujo, que fez temporada até a noite de hoje na Cia dos Palhaços em Curitiba. Como sempre, foi um grande prazer trabalhar na CiaSenhas, um privilégio.
 
EM BREVE NOS CINEMAS - Foto de Marco Novack
Depois, na segunda semana, dia 13/09, foi a vez do figurino para o espetáculo EM BREVE NOS CINEMAS, do Teatro de Breque, dirigido por Nina Rosa Sá. Estar com a Nina e com o Pablito Kucarz é sempre uma alegria a parte. Dessa vez, novos amigos também vieram, como o Claydson e a Tati. Adorei fazer este trabalho! Ainda tem mais algumas apresentações, fica até 14/10, de quinta a domingo, sempre às 20h no Teatro Novelas Curitibanas. 


PINÓQUIO - Foto de Thiago Fernandes

Na terceira semana, dia 22, estreou o novo infantil da Regina Vogue Produções, AS AVENTURAS DE PINÓQUIO, dirigido por Maurício Vogue. Doze atores vestindo dois figurinos completos cada um. Coisa de maluco. O trabalho está em temporada até 18 de Novembro. Sábados e Domingos às 16h no Teatro Regina Vogue.
            E para encerrar o mês com chave de ouro, nesta última semana, aconteceu o enceramento da minha oficina de teatro no Theatro São João na Lapa / PR, uma atividade do projeto sobre o patrimônio artístico e cultural da Lapa, incentivado pelo IPHAN e pelo Ministério da Justiça. Como encerramento, apresentamos o espetáculo PARTO - UMA VERDADE INVENTADA com pessoas da comunidade lapiana.
Enfim, no último dia do mês, olhando para trás, só posso ficar realizado e bastante feliz pelo resultado de todas essas empreitadas. Obrigado a todos os artistas e técnicos envolvidos nessas quatro equipes. Foi um mês e tanto! E que venha Outubro.



sexta-feira, 3 de agosto de 2012

BURACO DA FECHADURA

(Foto de Chico Nogueira)
Para comemorar os 100 anos de Nelson Rodrigues, um dos mais importantes ícones da dramaturgia brasileira e universal, surgiu BURACO DA FECHADURA. A peça, com direção de Rafael Camargo, estreou no dia 1º de agosto e faz parte de uma série de eventos que estão sendo programados para a abertura do Portão Cultural, antigo Centro Cultural do Portão de Curitiba. O projeto é resultado da parceria entre as companhias Rumo e Coletivo Portátil.
            Da força natural, bruta e viva da obra do mais influente dramaturgo do Brasil, a montagem emerge a partir da compilação de alguns contos de “A vida como ele é”: O Monstro, A dama do Lotação, Caça Dotes, Missa de Sangue, Veneno e Unidos na Vida e na Morte. Unindo fragmentados, diálogos e as mais inusitadas situações, o diretor paranaense desenha através de um olhar particular o universo rodriguiano.     
Nem malandro sem camisa, nem mulher com pouca roupa estão no palco. Os seis atores vestem um figurino mais apropriado ao frio: pijama e moletom. Permanecem no palco o tempo todo, mas quase não contracenam e mal saem do lugar. “É um jeito mais contido de fazer teatro. O movimento é mais interno e menos físico. É mais um estado de espírito do que um estado físico”, diz Rafael Camargo.

(Foto de Chico Nogueira)

            Limite, doença, paixão, força vital, sexo, culpa e medo. Na montagem, o humano e suas contradições convivem simultaneamente num caleidoscópio de experiências que traduzem o que somos capazes de ser, revelando o que não é permitido revelar. Tomados por sentimentos potencialmente incontroláveis, em estado febril, os personagens assumem o papel de pessoas próximas. Somos nós mesmos em situações limite, socialmente repreensíveis.
Como moldura, o buraco da fechadura. O silêncio e o respirar anônimo e ofegante do lado de cá inquieta tanto quanto o que acontece lá dentro. Em vários depoimentos, Nelson Rodrigues fala sobre este olhar: algo como espreitar, ver sem ser visto. O que não era para ser visto, o que era pra ficar entre quatro paredes, ou no máximo em família. Afinal, é sempre bom lembrar: às vezes estamos aqui, outras estamos lá.

(Foto de Chico Nogueira)

SERVIÇO
BURACO DA FECHADURA
Teatro Antônio Carlos Kraide
Portão Cultural
Avenida República Argentina, 3430, Água Verde
Telefone: (41) 3314-5063
De 1º a 26 de agosto
Quartas-feiras às 17h e 20h
Quintas, Sextas e Sábados às 20h, Domingos às 18h
Ingressos: Quartas – 1 kg de alimento não perecível
Quinta a domingo – R$ 10 e R$5


FICHA TÉCNICA:
Adaptação, dramaturgia e direção: RAFAEL CAMARGO
Cenografia: MARIA BAPTISTA e GABRIEL GALLARZA
Figurino: PAULO VINÍCIUS
Direção musical: LEONARDO PIMENTEL
Trilha sonora: RUÍDO BRANCO PRODUÇÕES
Arranjos: GUILHERME MIÚDO, LEONARDO PIMENTEL e LUCAS MELO
Iluminação: BETO BRUEL
Cenotécnicos: ALFREDO GOMES e ADILSON MAGRÃO
Operador de som: LEONARDO PIMENTEL
Operador de luz: FERNANDO DOURADO
Fotografia: CHICO NOGUEIRA
Assessoria de Imprensa: PAULA MELECH
Comunicação visual e ilustração: LEONARDO PIMENTEL
Idealização: DIEGO MARCHIORO
Elenco: ADRIANO PETRMANN, DIEGO MARCHIORO, MARCEL GRITEN, MARTINA GALLARZA, ROSANA STAVIS e PAGU LEAL.
Produção: RUMO EMPREENDIMENTOS CULTURAIS
Realização: RUMO e COLETIVO PORTÁTIL DO THEATRO DE ALUMÍNIO.