quinta-feira, 4 de abril de 2013

Exposição homenageia figurinistas de Curitiba

O figurinista Paulo Vinícius entre as suas criações em exposição no Centro Cultural Guaíra de Curitiba.
 

Fica até 26 de Abril, no saguão de exposições do Centro Cultural Teatro Guaíra, em Curitiba, uma exposição que reúne diferentes figurinistas, todos de muita importância para a cena curitibana.  A ideia de homenagear os figurinistas veio do produtor e também figurinista Áldice Lopes, curador da exposição.

Cada figurinista expõe quatro composições, criações próprias executadas para espetáculos que fizeram temporada na cidade. Existem representantes da nova geração de figurinistas e profissionais que já fizeram histórias no cenário teatral da cidade. Das minhas criações, estão expostos dois figurinos do espetáculo MENTIRA! (2010) e dois figurinos do espetáculo DE VOLTA AO COMEÇO (2012).
 
Figurinos de Paulo Vinícius para o espetáculo DE VOLTA AO COMEÇO de 2012.

Figurinos de Paulo Vinícius para o espetáculo MENTIRA! de 2010.
 
Integram a lista dos figurinistas homenageados: Amábilis de Jesus, Áldice Lopes, Cristine Conde, Fabiana Pescara e Renata Skrobot, Fernando Marés, Eduardo Giacomini, Luiz Afonso Burigo, Maureem Miranda, Ney Souza, Paulinho Maia, Paulo Vinícius, Ricardo Garanhani e Tony Silveira.

 
SERVIÇO:

Exposição dos figurinistas de Curitiba
Local: Saguão de exposições do Centro Cultural Teatro Guaíra – R. Quinze de Novembro, 971 - Curitiba / PR.
Maiores informações pelo telefone (41) 3322-8191

 

 

quinta-feira, 28 de março de 2013

Oficina de figurino em Curitiba



Pela primeira vez a Figurino e Cena promove uma oficina de figurino comigo em Curitiba. A proposta surgiu após recebermos vários e-mails solicitando uma oficina focada na formação de um figurinista e no seu mercado de trabalho. Achei bacana o interesse, já que os e-mails, na sua maioria, vieram de pessoas da moda e do cinema. Normalmente me relaciono mais com alunos e profissionais do teatro. Portanto a primeira versão da OFICINA DE FIGURINO COM PAULO VINÍCIUS é especialmente destinada a alunos e profissionais da moda, do teatro e do cinema.
Nos anos anteriores ministrei algumas oficinas a convite de escolas de teatro e cinema ou a convite da Fundação Nacional das Artes. Entre as principais cidades que estive com as oficinas estão as capitais Campo Grande (MS) e Vitória (ES). Nessas ocasiões tive a oportunidade de entrar em contato com diversos artistas de teatro e cinema e pude constatar que a falta de material para pesquisa em figurino é geral. Atualmente temos pouquíssimas publicações dessa área no Brasil. Portanto, a oficina que será ministrada em Curitiba neste ano de 2013 vem ao encontro de quem tem buscado informações teórico/práticas sobre a criação e a produção de figurinos nas linguagens contemporâneas.
Todo o conteúdo que será oferecido na oficina foi experimentado por mim desde o início da década de 90, quando comecei a trabalhar com teatro e, consequentemente, com figurino e cenografia. As experiências que tive na moda, tanto com a alta costura e com o pret´a porter, durante 10 anos, foram essenciais na minha formação técnica, bem como as que também tive com o carnaval, quando trabalhei por dois anos consecutivos como carnavalesco. Todas essas experiências, de certa forma, também estarão norteando os conceitos trabalhados na oficina.
            A oficina acontecerá no início do mês de maio, entre os dias 07 e 10. Serão duas turmas, uma no período da tarde (das 14h às 17h) e outra no período da noite (das 19h às 22h). Para cada turma estamos oferecendo 20 vagas que serão preenchidas pela ordem de chegada, durante o período de matrícula. A carga horária total da oficina será de 12 horas, divididas em quatro encontros de 03 horas. 
            Entre os principais assuntos abordados, estão a formação necessária ao figurinista e as ferramentas desejadas para a bom desenvolvimento da prática do figurino cênico. Os principais processos de criação e prática do figurino nos processos contemporâneos também serão identificados e desenvolvidos na oficina. Alguns projetos desenvolvidos por mim na cena curitibana nos 04 últimos anos serão comentados na oficina. Tais exemplos tem a finalidade de visualização das diversidades de processos criativos e de produções do figurino na cena contemporânea. A pesquisa de trabalho e o desenvolvimento de projetos também serão alguns pontos trabalhados nas aulas.
             As matrículas serão abetas na próxima segunda feira, dia 01 de Abril. Os interessados que desejarem obter maiores informações, poderão solicitá-las através do e-mail secretaria@cenahum.com.br ou pelo telefone (41) 3333-0975.

 
SERVIÇO:

OFICINA DE FIGURINO COM PAULO VINÍCIUS
De 07 a 10 de Maio de 2013
Turma da tarde: das 14h às 17h
Turma da Noite: das 19h ás 22h
Local: Academia de Artes Cênicas Cena Hum – Rua Senador Xavier da Silva, 166 – São Francisco (Entre o Shopping Muller e a Praça do Gaucho)

Realização e Produção: FIGURINO E CENA

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

MARCELINO DE MIRANDA: A maquiagem e o maquiador.



Marcelino de Miranda - Foto de marco Novack
 
Já conhecia o Marcelino de nome, mas a primeira vez que nos falamos foi quando trabalhamos juntos na peça NERVO CRANIANO ZERO, da Vígor Mortis, em 2009. De lá pra cá, já nos encontramos em vários trabalhos, almoços, jantares e até já viajamos juntos. Claro que passamos longos períodos sem nos vermos; eu correndo de cá e ele de lá. O nosso encontro mais recente foi num café da manhã na sua casa quando eu o entrevistava para escrever um texto sobre maquiagem artística aqui no blog. Sempre bem humorado e esbanjando alegria, todo mundo que o conhece sabe que ele é do tipo de amigo que todo mundo quer por perto. Não podia começar meu texto de outra forma, pois o artista de quem eu vou falar nesta postagem é meu amigo e ponto.
            Fora isso, ele é um excelente maquiador, que vai do social à maquiagem de efeito.  E isto, também, ninguém consegue negar. Foi por isso que eu estava, há pelo menos dois anos, querendo e tentando entrevistá-lo. Ele já maquiou em mais de 30 peças de teatro, 10 óperas, 09 longas metragens e em mais de 30 curtas metragens.   Sempre tem também muitas histórias pra contar e muita coisa pra ensinar. Sobre os ensinamentos, ele nunca se poupou. Ensina tudo o que sabe para qualquer um, sem medo. Pelo contrário, parece que ele quer se livrar de tudo o que sabe para liberar espaço e se preencher de novidades. Sempre. Eu já presenciei isso inúmeras vezes. Com os outros e comigo.
            Dito isso, posso tentar registrar, neste texto, uma pequena edição do muito que conversamos naquela ensolarada manhã do dia 29 de Janeiro de 2013. E para quem quiser notícias do Marce, ele está cada vez melhor, sempre esbanjando otimismo e felicidade. Nossos encontros demoram a acontecer, mas quando acontecem, sempre saio contagiado pelo seu astral e bom humor.
Marcelino maquiando o ator Luiz Bertazzo para o curta O CORVO
Foto de Marco Novack

A MAQUIAGEM NO CINEMA E NO TEATRO.
AS PRINCIPAIS DIFERENÇAS DE LINGUAGENS. 

           Marcelino de Miranda conta que a primeira preocupação de um maquiador deve ser limpar a pele do ator antes e depois da maquiagem. Este ensinamento vale para ambas as linguagens, o teatro e o cinema. Ele diz que o cuidado com os atores é uma tarefa obrigatória para quem quer trabalhar com maquiagem.
          O cinema pede, nestas épocas de grandes tecnologias e câmeras de grande definição, que a pele do ator seja preparada depois de ser limpa e antes de receber a maquiagem. Aquela história de que o maquiador está no set de filmagens só para passar um “pozinho na pele dos atores para tirar o brilho” já é um discurso completamente ultrapassado. O Marcelino me conta que os grandes aliados do Maquiador de hoje no cinema são o Underbase e o Primer, dois produtos para preencher as linhas de expressão e sulcos, evitando também o craquelamento da pele, após a aplicação da maquiagem. Com eles, a pele fica melhor preparada para um dia inteiro de set.

         Outra preocupação que, segundo ele, deve estar sempre presente na prática do maquiador é com relação à necessidade de produtos dentro do prazo de validade e que não sejam produtos nãocomedogênicos (que causem erupção e obstrução dos poros e acnes) ou hipoalegênicos (formulado para minimizar os riscos de reações alérgicas).
         Sobre a maquiagem propriamente dita, Marcelino diz que no cinema tudo deve ser cuidadosamente acabado, porque o menor erro ou a menor sujeira na maquiagem, podem parecer gigantescos na tela grande, num super close, por exemplo. Para ele, no teatro tudo é mais vasto e menos “microscópico”. O olhar do espectador no teatro é de longe, mesmo que a plateia esteja posicionada bem na frente da cena, a luz é outra, enfim, o teatro permite menos acabamento minucioso, mais não menos cuidado,  ainda que seja uma relação próxima a do ator com o público.
Sobre a importância do maquiador nas duas linguagens, Marcelino conta que no cinema o maquiador é muito mais indispensável e valorizado do que no teatro. Ele também é responsável pela qualidade da imagem dos personagens e pela decupagem destes dentro das especificações do roteiro. Sua técnica ajuda a contar a história e está intimamente ligada a linha do tempo. Enquanto que no teatro, são pouquíssimas as companhias e diretores que ainda colocam maquiadores nos seus projetos. Antes de entrar em cena, cada ator, normalmente, é quem acaba se resolvendo com a maquiagem. Só mesmo as grandes produções fazem questão de manter o profissional da maquiagem nas suas fichas técnicas. Ou, em outra instância, as companhias que necessitam de um profissional de caracterização ou efeitos, ainda valorizam o trabalho específico do maquiador.

Marcelino maquiando a atriz Letícia Sabatella no longa CIRCULAR
Foto de Rosano Mauro JR
 
O TRATO COM A EQUIPE
            O maquiador é responsável pelo astral do camarim, mesmo que o no set inicie às 5 da manhã. Se ele estiver mal humorado e esquecer que esta ali também para cuidar da imagem dos atores, acabará influenciando a energia da equipe. No mercado atual, não basta ser um bom maquiador, tem que ser de bons tratos, cuidadoso e competente paras as relações humanas. É uma profissão de cuidado; tem que gostar de cuidar das pessoas.

Preparando o molde da cabeça do ator Leandro Daniel Colombo para o longa
NERVO CRANIANO ZERO - Fase 01 - Foto de Marco Novack  
 
A MAQUIAGEM E O ATOR
            A maquiagem é um complemento ao trabalho do ator. Não pode sobressair ao seu trabalho, pois é isso que tem que aparecer. O maquiador também é responsável para fazer com que o ator “apareça”, ele diz. Quando a maquiagem aparece mais do que o ator, é porque o maquiador errou ao colocar o seu trabalho em primeiro lugar. Deve-se ajustar o ego de artista com a realidade do cinema ou do teatro, afinal o trabalho deve ser desenvolvido em conjunto. Ele diz que "todos da equipe devem estar na mesma intenção para que o melhor de cada um fique visível na tela ou no palco e não na guerra do quem é melhor que quem".
Preparando o molde da cabeça do ator Leandro Daniel Colombo para o longa
NERVO CRANIANO ZERO - Fase 02 - Foto de Marco Novack

A PESQUISA COMO FONTE DE INFORMAÇÃO
            Marcelino aponta uma das principais faltas dos maquiadores que querem trabalhar com a maquiagem: a falta de pesquisa. Ele diz que quando começou a maquiar, em 1995, a principal fonte de pesquisa em maquiagem eram as bibliotecas, onde costumava passar horas folheando os livros. Hoje tudo está muito mais fácil, a internet favorece a pesquisa de informação e referências com muito material, sujeito inclusive a um tradutor imediato. Só não pesquisa quem não quer, ou, como ele diz, quem tem muita preguiça. Um maquiador nunca sabe de tudo, ele está sempre aprendendo, inclusive ao aplicar uma técnica que já está bastante habituado. A cada novo trabalho, uma mesma técnica pode revelar novas descobertas e novas dificuldades. Sempre se aprende. Desta forma ele conclui: "Se o profissional tem o hábito de dizer: mas isso eu já sei! É hora de começar do zero novamente e reaprender."

 
Preparando o molde da cabeça do ator Leandro Daniel Colombo para o longa
NERVO CRANIANO ZERO - Fase 02 - Foto de Marco Novack
 
AULAS DE MAQUIAGEM
            Marcelino dá aulas de maquiagem para cursos de graduação e também ministra oficinas em vários lugares do Brasil todo; vive recebendo convites. Nas suas aulas ele ensina tudo o que sabe, passo a passo. Como as turmas normalmente são formadas não apenas por maquiadores, mas estudantes em diferentes áreas do cinema, do teatro, da publicidade e da estética, ele acredita que o fato de os seus alunos aprenderem não significa que irão se transformar em maquiadores. Os alunos receberão informações suficientes para se relacionarem com os maquiadores e solicitarem os seus serviços, afinando o olhar, profissionalizando o pensamento sobre maquiagem.

Cabeça pronta para as filmagens - Foto de Marco Novack

CARREIRA
            A carreira de Marcelino de Miranda começou por acaso, em 1995, quando ele fazia um trabalho de ator e acabou substituindo um maquiador que faltou. Mesmo sem conhecimento técnico, a sua intuição artística fez com que o trabalho emplacasse e ele ganhou três vezes mais que o seu cachê de ator. A partir daí os trabalhos com maquiagem começaram a surgir e ele a buscar informações e técnicas. A mãe de uma amiga atriz era cabeleireira e o ensinou por telefone a fazer uma “escova” e um “coque banana” para um trabalho no dia seguinte. O talento inato era o suficiente para ir administrando as informações recebidas e realizando os trabalhos que foram aparecendo cada vez mais.
            Os trabalhos foram se aprimorando cada vez mais e o Marcelino se profissionalizando a cada nova experiência. Foi buscar informação, aprender os termos técnicos, estudar a anatomia do rosto humano, filtrar referências e fortalecer cada vez mais a sua técnica pessoal. Já em 1997, ele viajava o Brasil ministrando oficinas de maquiagem a convite de um Studio do Rio de Janeiro.
Maquiando no longa GOL A GOL - Foto de Rosano Mauro Jr
 
            Hoje, ele é professor universitário de maquiagem, maquiador caracterizador para cinema, teatro e TV. Faz e ensina maquiagem social e ministra várias oficinas pelo Brasil inteiro. Além de Curitiba, Marcelino é chamado para diversos trabalhos em São Paulo e no Rio de Janeiro, onde há anos trabalha maquiando até o carnaval na Marquês de Sapucaí.
            Mais fotos e informações sobre o seu trabalhado podem ser encontradas em http://marcelinodemiranda.blogspot.com/  e o e-mail para contato é marcemirandha@gmail.com 

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

A ASSINATURA DO ARTISTA NO TEATRO CONTEMPORÂNEO

(Espetáculo OXIGÊNIO da Cia Brasileira de Teatro - Foto de Ale Haro)

A característica que mais me interessa no trabalho dos artistas de teatro na contemporaneidade é a autoria. Um trabalho é efetivamente interessante quando o artista imprime na obra aquilo que realmente é seu. Para o espectador, um trabalho é autoral quando conseguimos, principalmente, distingui-lo de tudo aquilo que já vimos em teatro. Quando isso acontece o prazer já está garantido, e mesmo quando ainda encontramos um trabalho em processo, que ainda não está maduro, o prazer de ver o universo específico de cada coletivo vale a experiência teatral.

Mais vale uma criação em desenvolvimento do que uma reprodução bem acabada. Enquanto espectador, comigo sempre foi assim. Não que eu não valorize o acabamento, muito pelo contrário, mas só a técnica bem aplicada não responde ao desejo do homem contemporâneo, tão acostumado com as tecnologias do dia a dia e já habituado a ver inúmeras novidades nas artes contemporâneas.

(Espetáculo CIRCO NEGRO da CiaSenhas de Teatro)
 
O teatro vai continuar sendo artesanal, diferentemente do cinema que é estruturalmente tecnológico, sem problemas. Talvez a principal característica de aproximação do teatro do público seja realmente o humano que existe na construção artística. Entenda aqui o termo humano como distanciamento do termo tecnológico. Porém, dentro das suas especificidades técnicas e artísticas, não nos contentamos mais com repetições de fórmulas antigas de representação. Nós, públicos e artistas, queremos mais.
 
            Distinguir um trabalho e diferenciá-lo de tudo o que já vimos, não implica na ausência de qualquer reconhecimento de referências presentes nele, não é isso que desejamos ver, principalmente numa época em que quase tudo já foi inventado. A autoria está na maneira como cada artista devolve ao mundo todas as referências que ele se apropriou e na forma como ele apresenta suas questões ou conclui suas indagações.

(Espetáculo LONGE - SOBRE AMOR, SOBRE DISTÂNCIAS do Grupo Obragem - Foto de Elenize Desgeniski)
 
            Enquanto artistas, precisamos propor um discurso que não seja necessariamente tão reconhecível aos olhos do público. É importante estimular o estreitamento da relação espectador X obra de arte. É importante permitir que o espectador experimente outras camadas, mais abertas ao entendimento, diferentes das fórmulas tão massificadas no teatro comercial.

            A autoria talvez tenha sido o elemento de maior peso, identificado no trabalho da Companhia Brasileira de Teatro, dirigida por Marcio Abreu, que hoje tem seus trabalhos apresentados em várias cidades do Brasil e outros lugares do mundo. Sem dúvida, o grande sucesso alcançado pela Cia Brasileira está na forma autoral e criativa com que os trabalhos sempre foram desenvolvidos.
 
(Espetáculo A MEIA NOITE LEVAREI TEU CADÁVER da Vigor Mortis - Foto de Marco Novack)
 
            Em Curitiba, desde 2004, ano que me radiquei na cidade, tenho acompanhado o trabalhos de vários artistas, grupos e companhias. Dentre eles, identifiquei em alguns o desenvolvimento de uma linguagem teatral autoral, ímpar e particular. É sobre essas companhias que agora, depois de 08 anos vivendo aqui, quero falar.

A tentativa será de propor um olhar analítico e sintético ao mesmo tempo. Para tanto, selecionei dentre todos os coletivos artísticos em atividade por aqui, 03 companhias maduras, que já percorreram mais de uma década de desenvolvimento e que hoje representam com muito estilo o melhor teatro produzido em Curitiba. Claro que, de certa forma, meu olhar é também de dentro para fora, uma vez que também atuei como colaborador nas 03 companhias selecionadas e que, portanto, também acompanhei boa parte do desenvolvimento dos seus respectivos discursos.

            As companhias escolhidas para esta análise foram: CiaSenhas de Teatro, dirigida por Sueli Araujo, Grupo Obragem, dirigido por Olga Nenevê e Vigor Mortis, dirigida por Paulo Biscaia Filho. Tenho certeza de que o trabalho produzido por estes três grupos, aliados ao trabalho produzido por outras companhias e diretores de peso e qualidade, estimulam o desenvolvimento do teatro local bem como a divulgação nacional do teatro paranaense e de seu reconhecimento.

           

 

CiaSenhas de Teatro

Dirigida por Sueli Araujo, a CiaSenhas completou 13 anos de trabalhos consecutivos em 2012. Um dos focos principais é o trabalho do ator-criador, bem como o desenvolvimento de uma dramaturgia original. O trabalho em grupo e a comunicação com diferentes plateias, também são praticas desenvolvidas nos trabalhos dentro da companhia. A pesquisa da CiaSenhas revelou uma forte preocupação com o desenvolvimento da narrativa cênica. O jogo teatral, a construção do corpo expressivo e os espaços de relação com a plateias foram elementos presentes trabalhos.

Os trabalhos mais recentes da companhia foram DELICADAS EMBALAGENS (2008), HOMEM PIANO – UMA INSTALAÇÃO PARA A MEMÓRIA (2010), CONCERTO PARA RAMEIRINHAS (2011) e CIRCO NEGRO (2012).

Além da produção de espetáculos, a CiaSenhas de Teatro dedica-se também ao intercâmbio teatral, promovendo ações de diálogos entre diferentes artistas do Paraná e de outros Estrados brasileiros. Também é uma realização da companhia a Mostra Cena Breve – A Linguagem dos Grupos de Teatro, que em 2012 chegou a sua oitava edição.

Os trabalhos que desenvolvi dentro da companhia foram os cenários para os espetáculos HOMEM PIANO, CONCERTO PARA RAMEIRINHAS e CIRCO NEGRO.

Maiores informações sobre a companhia podem ser obtidas através do site www.ciasenhas.art.br

           

           

Grupo Obragem

            Dirigido por Olga Nenevê, o Grupo Obragem completou 10 anos. As principais referências da companhia são as artes visuais e a dança contemporânea, além da Literatura e do Cinema. A autoria foi o elemento presente em todos os trabalhos que vi do Grupo Obragem, desde 2004.

            A dramaturgia textual própria é outro elemento de muita importância no trabalho do grupo. Também desenvolvido por Olga Nenevê, o texto é escrito de forma que a sua estrutura potencialize a emoção e se relacione com o ponto de partida dos trabalhos: o corpo e seus movimentos. 

            As imagens são pensadas como elementos de referência e composição para as cenas, tanto para o corpo dos atores quanto para a construção visual do espetáculo. Quem assina os figurinos e os cenários dos espetáculos é Eduardo Giacomini, ator, cenógrafo, figurinista e produtor no grupo.

            Os trabalhos recentes foram PASSOS (2008), O INVENTÁRIO DE NADA BENJAMIM (2009), ZAQUEU (2010), AS TRAMÓIAS DE JOSÉ NA CIDADE LABIRINTICA (2012) e LONGE – SOBRE O AMOR SOBRE, DISTÂNCIAS (2012).

            Além de espectador frequente dos trabalhos do grupo, em 2009 participei como ator do espetáculo infantil MMM – A MONTANHA DO MEIO DO MUNDO, um trabalho que, além de Curitiba, circulou pelos Estados de Santa Catarina e São Paulo.

            O Grupo Obragem, em 2012, inaugurou o seu próprio Espaço em Curitiba. Maiores informações sobre eles estão em www.grupoobragemdeteatro.com.br


 

 

Companhia Vigor Mortis

            Dirigida por Paulo Biscaia Filho, a Vigor Mortis tem, basicamente, o Grand Guignol (Teatro de horror de Paris) como foco principal. A companhia adota um gênero específico, utilizando a violência e o naturalismo como meios narrativos, explícitos na encenação de Paulo Biscaia. O trabalho da companhia é extremamente autoral, não apenas como dramaturgia textual, mas também, e principalmente, pela encenação do Paulo, que mistura o teatro com outras linguagens de identificação, como os quadrinhos, o cinema e as artes urbanas.
 
            Em 2012 a Companhia completou 15 anos de atividades. Entre os principais espetáculos estão MORGUE STORY – SANGUE, BAIACU E QUADRINHOS (2004), HITCHCOCK BLONDE (2008), NERVO CRANIANO ZERO (2009), MANSON SUPERSTAR (2009), SEANCE – AS ALGÊMAS DE HOUDINI (2011) e A MEIA NOITE LEVAREI TEU CADÁVER (2012).
 

            No cinema, os filmes produzidos pela Vigor Mortis foram o longa metragem MORGUE STORY – SANGUE, BAIACU E QUADRINHOS, uma trilogia de curtas baseados em contos de Edgar Allan Poe chamada NEVERMORE - TRÊS PESADELOS E UM DELÍRIO e o longa metragem NERVO CRANIANO ZERO.
 

            Além do teatro e cinema, a companhia também publica livros como os quadrinhos VIGOR MORTIS COMICS e a coletânea de textos dramatúrgicos PALCOS DE SANGUE, escritos por Paulo Biscaia Filho.
 

            Na Vigor Mortis, criei o cenário do espetáculo NERVO CRANIANO ZERO, cenário e figurino para MANSON SUPERSTAR, cenário e figurino para SEANCE e para A MEIA NOITE LEVAREI TEU CADÁVER. Também atuei como diretor de arte no longa metragem NERVO CRANIANO ZERO.
 

            Maiores informações sobre a Vigor Mortis estão em www.vigormortis.com.br  

domingo, 20 de janeiro de 2013

Especialização em cenografia na Universidade Tecnológica Federal do Paraná


 
          Estão abertas as inscrições para a segunda turma do curso de Especialização em Cenografia da UTFPR. O objetivo principal é oferecer um curso especializado para a formação e o aprimoramento profissional voltados à criação cenográfica, abordando questões de linguagem teatral, arquitetura, design e artes visuais, permeados por reflexões que fundamentem os processos criativos e artísticos. O curso visa também ao desenvolvimento de artigos científicos em temas relacionados à cenografia e ao espaço teatral.
           O curso oferece 33 vagas e terá carga horária total de 470 horas/aula. As inscrições ficam abertas até o dia 31/03/2013. Aos alunos formandos serão concedidos o Título de Especialista em Cenografia. Alguns temas abordados nas disciplinas são:
-  Características da arquitetura cênica. Espaços abertos, fechados, a rua. Modificações do espaço teatral no século XX. Espaço cênico e lugar teatral. Dimensões estruturais do espaço no teatro. Tipologias espaciais. Introdução à história do teatro.
- Contextos culturais e a constituição dos lugares teatrais. Organizações sociais e econômicas como determinadoras do teatro. Relações entre ética e estética na escolha do espaço teatral.
- O teatro no final do século XIX e o movimento de modernização da cena ocidental. Direção x encenação. As vanguardas teatrais. Tendências do teatro contemporâneo.
- Principais manifestações artísticas e suas relações com o espaço, da Pré-história ao contexto contemporâneo. Pintura e representação do espaço. Escultura e espaço de apresentação. Happening, Performance, Instalação: Espaço e Tempo. Novas mídias e o espaço virtual.
- Da “Arte Total” às dissoluções das fronteiras artísticas. Questões para a formação do artista na atualidade.
- Simbologia e imaginário da arquitetura e da urbanidade. Dramaturgia do espaço. Teatro ambiental.
- Composição, conceitos e aplicações em cenografia. Uso dos elementos estruturais: Ponto, Linha, Forma e Volume. Elementos intelectuais da composição: Equilíbrio, Proporção, Harmonia, Ritmo, Movimento, Unidade, Repetição Simples e Complexa, Fusão, Composição e Percepção Bi/Tridimensional e a Percepção do Movimento.

- Plantas. Maquetes. Projetos. Registros. Processos de criação em cenografia.

- Estudo de materiais aplicados à cenografia. Materiais estruturais. Materiais de revestimento. Pintura. Modelagem. Processos de criação e confecção.

- Análise dramatúrgica. O texto teatral e a cenografia. Princípios de direção cênica. Direção e cenografia. Interrelação dos elementos cênicos. Processos de criação. Análise dos elementos visuais da encenação.
- O corpo no espaço. Percepção sensível do ambiente. Níveis do corpo e do espaço. O espaço dinâmico. O centro e a periferia. Dinâmica espacial das paixões.  
- Características do texto dramático. Gêneros literários. Gêneros teatrais. Teatro e poesia. O texto teatral na história do teatro. A dramaturgia no teatro grego clássico, no Renascimento, no Romantismo, no Naturalismo. O distanciamento brechtiano. O pós-dramático.
- Cenografia teatral e cenografia aplicada ao design de exposições. Conceituação, caracterização e histórico das exposições. Projetos em design de exposições.
            O corpo docente é formado, entre outros, por Prof. Dr. Ismael Scheffler, Prof. Dr. Walter Lima Torres Neto, Prof. Dr. José da Silva Dias,  Prof. Dr. Antônio Araújo e a Prof(a). Dra. Amábilis de Jesus da Silva.
            O link para acessar o Edital e obter maiores informações é: http://pos.funtefpr.org.br/inscricoes/editais/Edital-712.pdf

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

2012


2012 foi um anos de muitas descobertas e surpresas. Foi realmente um ano de muito trabalho. Os bons e velhos parceiros de sempre permaneceram e muita gente nova pintou no pedaço. Fiz cenários e figurinos para vários espetáculos, de algumas companhias e diretores que já são parceiros e de outros que ainda não tinha trabalhado. Existiram surpresas e decepções, mas 2012 foi um ano lindo!

A Figurino e Cena também desenvolveu projetos lindos, em parcerias com diferentes coletivos criativos, artistas convidados, que se dedicaram além do esperado para cumprirem suas missões. Fica aqui meu eterno agradecimento aos queridos e talentosos Amabilis de Jesus, Marco Novack, Carolina Fauquemont, Fernando de Proença, Pablito Kucarz, Paulo Biscaia Filho, Andrea Tristão, Marcelo Bourscheid, Lilyan de Souza, Wagner Corrêa, Chico Santarosa, Marcelo Bérgamo, Victor Sabbag, Lidia Ueta, Alan Raffo, Junior Pereira, Luiz Sadaiti, Airen Wormhoudt. Michelle Rodrigues, Lucan Vieira, Johnny Leal, Juliana Lang e Luiz Lopes.

No ano que vem muita coisa está para acontecer, 2013 promete muitos outros encontros e trabalhos deliciosos. Eu e a Figurino e Cena estaremos conectados com alguns dos artistas mais bacanas da atualidade. É só aguardar e torcer.

Um ótimo final de ano para todos vocês, leitores, amigos, parceiros e artistas. Ótimas férias e um maravilhoso ano novo. Que 2013 supere todas as nossas expectativas. Muito obrigado. Um beijo grande e um abraço apertado.

Paulo Vinícius.

domingo, 4 de novembro de 2012

FIGURINO E CENA NO ESPÍRITO SANTO

 
Paulo Vinícius, diretor artístico da Figurino e Cena, ministrará duas oficinas de capacitação técnica entre os dias 19 e 23 de Novembro no Centro Cultural José Ribeiro Tristão no Município de Afonso Cláudio / ES. As oficinas são providas pela SECULT – Secretaria de cultura do Espírito Santo e realizadas em parceria com a FUNARTE – Fundação Nacional das Artes.
Esta será a segunda vez que a Figurino e Cena vai ao Espírito Santo com suas oficinas. A primeira foi no ano passado, em Vitória, quando Paulo Vinícius ministrou a oficina de Cenografia dentro do projeto Oficinas Integradas, dividindo espaço com Nadia Luciani (iluminadora) e Vadeco Schettini (Produtor musical e sonoplasta).
Neste ano de 2012, no período da tarde acontece a oficina de Cenotécnia, das 13h às 17h e, no período da noite, das 18h às 22h acontece a oficina de Figurino Cênico, totalizando 40 horas/aula - 20 horas/aula para cada oficina. Os interessados poderão escolher uma das duas oficinas ou optar pela inscrição nas duas oficinas e cursar os dois períodos.
Entre os principais temas abordados na oficina de Cenotécnica estão as principais ferramentas de criação, execução e comunicação de um cenógrafo e de um cenotécnico no cenário atual. E os principais temas abordados na oficina de Figurino cênico estão a relação do figurino com os diversos signos teatrais (Dramaturgia, Interpretação, Iluminação, Cenografia, etc.) e a evolução do figurino  no teatro, na dança, televisão e no cinema.
Maiores informações sobre as oficinas estão em: http://oficinasdecriacaoteatral.blogspot.com/