sábado, 20 de fevereiro de 2010

PESSOA, PREGO E PELÚCIA

(foto de Leco de Souza)

Muitas vezes me pergunto aonde o teatro quer chegar. Geralmente isso acontece quando saio de um teatro com a sensação de que o espetáculo ainda não terminou dentro de mim. O movimento interno, provocado por questões ou emoções causadas por aquilo que vi em cena pode ir do estranhamento ao riso, da dúvida ao descobrimento e da angústia à satisfação. O RAPAZ E A RAPARIGA – PEÇA DE PESSOA, PREGO E PELÚCIA foi um destes espetáculos que me colocou neste lugar de reflexão.
Vi o espetáculo no último dia da primeira semana da temporada que acontece até o dia 14 de março no teatro Novelas Curitibanas, sempre as 20h. A produção é uma realização da Couve-flor Microcumunidade Artística Mundial com financiamento da Fundação Cultural de Curitiba. O processo criativo e colaborativo se deu entre os artistas Cândida Monte, Elizabete Finger, Gustavo Bittencourt, Neto Machado, Ricardo Marinelli e Well Gutti.
A inspiração para o trabalho veio da obra do cineasta e autor Tim Burton. O ponto de partida para o início da criação foi o livro A morte melancólica do rapaz ostra e outras histórias. Vemos em cena quatro discursos diferentes, quatro personagens que se entrecortam e que são apresentados a partir de uma estética desenvolvida sobre referências góticas, surreais e bem humoradas. São quatro argumentos metafísicos, quatro universos fantásticos, construídos a partir da contaminação que as idéias de Tim Burton influenciaram no processo criativo dos artistas.
Tudo parece ter sido desenvolvido a partir da linguagem da performance que o grupo se apropriou de forma muito eficaz e, apesar de ter sido uma linguagem surgida ainda nos anos 60, o espetáculo traz um frescor de algo inusitado.
Como falar mais sobre O RAPAZ E A RAPARIGA sem estragar a sensação de descoberta para quem ainda verá o espetáculo? Não saberia responder. Apenas acho que esta é uma aventura que toda pessoa interessada em teatro deveria experimentar e descobrir por si própria os códigos que a levarão à uma interpretação pessoal das cenas apresentadas na mais recente empreitada do Couve-flor.
Vale a pena ir. Eu fui e gostei muito. Se você for, deixe a expectativa e os preconceitos em casa. Permita-se a experimentar e, se estiver conectado com a arte contemporânea, tenho certeza de que vai ter uma boa experiência.
Boa viagem!
(foto de Leco de Souza)

FICHA TÉCNICA:
Uma criação de e com: Cândida Monte, Elisabete Finger, Gustavo Bitencourt, Neto Machado, Ricardo Marinelli e Well Guiti - Apoio à pesquisa dramatúrgica: Jorge Alencar - Consultoria de materiais de cena: Amábilis de Jesus - Designer de luz: Fábia Guimarães - Conceito visual e material gráfico: Atelier Utrabo Monteiro - Produção: SELO - Produção e Gestão Cultural - Projeto: Couve-flor Minicomunidade Artística Mundial, associado à Aspart - Incentivo: Lei Municipal de Incentivo à Cultura, Fundação Cultural de Curitiba, Prefeitura Municipal de Curitiba

IMPORTANTE: O ingresso no Novelas Curitibanas não é mais uma lata de leite em pó como estamos acostumados. Agora a inteira custa R$10,00 e a meia entrada R$5,00, super acessível. O horário também mudou, agora todas as sessões, de quinta a domingo, acontecem sempre as 20h.

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